O que é PERFEIÇÃO? II

À direita de Deus Pai, Hand Grebber
Perfeição da lei. — O Evangelho rende homenagem a esta perfeição aberta a uma ex­pectativa, que é a dos pais de João Batista, irrepreensível na sua fidelidade à Lei, ou a de Simeão e de Ana. Mas, se a prática da Lei pretende se fechar complacentemente sobre si mesma, não passa de falsa perfeição e provoca a oposição irre­dutível de Jesus e continuada pela de Paulo.

Jesus e a perfeição. — É de um modo inteiramente diverso que a Lei deve chegar a cumprir-se.  Revelando plenamente que o Deus santissimo é um Deus de amor, Jesus dá uma nova orientação à exigência de perfeição suscitada pelo relacionamento com Deus. Não mais se trata de preservar inte­gridade, mas trata-se dos dons de Deus, trata- se do amor de Deus que deve ser recebido e difundido.

Jesus não se põe do lado dos justos que fogem do contato com os pecadores: para os pecadores é que ele veio. Sem dúvida, ele é o cordeiro sem defeito prefigurado pelas prescrições do Levítico, mas ele toma sobre si os nossos pecados, por cuja remissão derrama o seu sangue; é assim que ele se torna nosso sacerdote perfeito, capaz de aperfeiçoar tam­bém a nós.

Perfeição na humildade. — Quem quer apro­veitar a salvação que ele traz deverá portan­to reconhecer-se pecador e renunciar a se prevalecer de qualquer vantagem pessoal, para confiar tão-somente na sua graça. Sem a humildade e o desa­pego não se pode seguir Jesus. Nem todos são chamados às mesmas formas de renúncia efetiva, mas quem quer progredir na perfeição deve avançar generosamente nesse caminho; a palavra dirigida ao jovem rico impõe-se à sua atenção: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens... vem e segue-me.


Perfeição do amor. — A perfeição a que são chamados os filhos de Deus é a perfeição do amor. Na passagem de Lc 6.36, paralela a Mt 5.48, em vez de perfeito lê-se misericordioso, e o contexto de Mt também fala da caridade universal, de amor que se estende mesmo ao inimigo e ao perseguidor. O cristão deve, sem dúvida, guardar-se do mal; mas, para se tornar semelhante a seu Pai, ele deve ao mesmo tempo preocupar-se pelos maus , amá-los e, por mais que isto lhe custe, vencer o mal à força de bem.

Perfeição e progresso. — Essa generosida­de conquistadora jamais se considera satisfeita com o resultado obtido. A ideia de progresso é agora conexa à de perfeição. Os dis­cípulos de Cristo têm sempre que progredir, crescer no conhecimento e no amor, mesmo quando já pertencem à categoria dos cristãos com formação avançada.


Perfeição na parusia. — Eles não cessam de se preparar para a vinda do Senhor, es­perando que Deus lhes conceda serem encon­trados irrepreensíveis naquele. Eles se empenham em responder ao desejo de Cristo, que é o de lhe ser apresentada então uma Igreja toda resplandecente; esquecendo o que já foi realizado, eles se lançam portanto à frente, até chegarem todos juntos a constituir o Ho­mem perfeito.

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