Apenas ser jovem não resolve

Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó SENHOR. Leia Salmos 25
Jovem rico, levangelization.eklablog.com 2013
Texto do rev. Jonas Rezende.

Noite escura. Mais uma das muitas noites escuras na vida de Fausto. O velho caminha em silêncio. Sem destino. Sem vida. Como se as pernas teimassem em andar, andar. Era noite também em sua alma. O casal sorridente de namorados. Os bares ruidosos. A alegria um tanto contaminada dos boêmios. A explosão de vida na alma dos jovens.

Tudo isso fazia o homem pensar na velhice como uma violência, um verdadeiro ultraje contra o ser humano. E foi esmagado pela crescente fragilidade de seus músculos, pelo sentimento de impotência diante do tempo devorador; foi sentindo-se extinguir, como um toco de vela cercado de luzes fortíssimas, que Fausto resolveu: vender a própria alma por mais alguns anos de juventude, pela volta das possibilidades que se fizeram saudade; pela perspectiva do futuro que se perdeu no ralo da vida. A alma pelo sorriso, os olhos brilhantes... Mas Fausto se esqueceu de que apenas ser jovem não resolve.

O jovem não sabe o que fazer com tanta energia e desembesta pelas sendas as mais tortuosas. A oração de Davi é específica: não te lembres, Senhor, dos pecados de minha mocidade.

J. J. Rousseau afirma categoricamente: há milhares de caminhos que levam ao engano, e apenas um que conduz à verdade. A frase do filósofo nos faz lembrar a sabedoria de Salomão nos seus provérbios: há caminhos que ao homem parecem o bem, mas que têm como término a morte. O salmista suplica: faze-me conhecer, Senhor, os teus caminhos; ensina-me as tuas veredas. Ele amadurecera.

Em geral, o jovem é afoito em suas escolhas e frequentemente se machuca, no exercício de sua vida. Salomão chega a aconselhar o moço de modo objetivo: lembre-se do seu criador nos dias da sua mocidade.

Há dois perigosos caminhos que exercem fascínio sobre os nossos jovens, até porque criam um imenso campo de possibilidades.

Grande parte da juventude se aliena, foge de situações que demandam sua responsabilidade. O apelo das drogas, do prazer sem compromisso, encontra nos dias de hoje um imenso leque de possibilidades. A futilidade, a falsa sensação de que se é eterno; a arrogância e a ausência de uma conduta ética mais definida fazem um perigoso coquetel que pode destruir os nossos jovens.

Allen Ginsberg, em longo poema, fala que viu a deformação dos melhores de uma época. E qualquer opinião dos mais velhos é recebida com absoluto desdém. Na minha juventude, recebi carta de uma pessoa muito querida, que dizia a certa altura: Jonas, a nossa mocidade é uma legião de desesperançados. Até porque não partilha experiências.

No polo oposto, os jovens se lançam de cabeça nos engajamentos que lhes roubam a liberdade e envenenam sua alma pura. Ideologias extremadas fisgam os nossos moços. A juventude nazista denunciava os próprios pais. Há também moços que abraçam doutrinas religiosas exóticas, interrompendo seus estudos, abandonando a família e se perdendo em um fanatismo fora de propósito.

Fausto não fez uma decisão acertada. Não era preciso vender a alma às potestades do mal. Davi, em outro salmo, garante que Deus farta de bens a velhice do justo, de sorte que a sua mocidade se renova como a da águia.

Por que não orar então com o salmista?

Faze-me, Senhor, conhecer os teus caminhos;
ensina-me as tuas veredas.

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