Deus não é um patrão arrogante

SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma. Leia Salmos 131
Um apóstolo, Jacob Jordaens em 1623
Texto do Rev. Jonas Rezende 
Vejo o filósofo Roger Garaudy como um símbolo de busca e de mudança. Depois de ser durante anos secretário executivo do Partido Comunista francês, torna-se cristão e, mais tarde, muçulmano. Garaudy pode ser visto como o resultado de uma curiosa, mas compreensível síntese de Marx, Cristo e Maomé. Pois bem, para Roger Garaudy, colocar uma coroa na cabeça de Jesus não tem base no Evangelho. O Cristo seria rei apenas em sentido simbólico e final. Sua realeza se encontra no fato de que ele se faz servo de todos, como vemos no lava-pés e na morte de cruz.

Neste pequeno salmo de Davi, o rei confessa que não é soberbo nem está procurando grandes coisas. Pelo contrário. O salmista se vê como uma criança dependente nos braços da mãe. Suas palavras me lembram um episódio ligado a Albert Schweitzer, teólogo e filósofo, o maior intérprete de Bach, e médico. O gênio se fez, movimentado por amor e compaixão, missionário para servir os leprosos de Lambarene, na África. Um dia, quando desembarcava material pesado para o seu hospital, pediu auxílio a um nativo e recebeu uma categórica negativa, seguida da justificação: não posso fazer esse tipo de trabalho, porque sou um intelectual. O genial Schweitzer apenas retrucou em um tom conciliador: eu também quis ser intelectual e não consegui...

Admiro a corajosa e inovadora filosofia de Nietzsche, mas discordo quando ele diz que o cristianismo preconiza uma verdadeira moral de escravos. O filósofo alemão, em seu livro Assim falou Zaratustra, conta uma parábola sobre mudanças e metamorfoses: o espírito carrega pesados fardos, como o camelo; quer conquistar a liberdade, como o leão; e tem, como criança, a possibilidade de um novo começo.

Davi passou, em sua vida, por essas mudanças. Fez, como o camelo, trabalhos pesados e sacrificiais. Lutou com a bravura do leão, pela sua liberdade pessoal e pela libertação do seu povo. E aqui, neste poema marcado por uma comovente humildade, ele mesmo se compara a uma criança desmamada, calma e aquietada nos braços de sua mãe. Na retomada de tudo, o salmista quer apenas paz para Israel. Despojado como uma criança poderá servir melhor ao seu povo. Este não é o resumo da vida de Jesus, o menino eterno? O Cristo do lava-pés?

Com o espírito do presente salmo, experimente fazer esta oração:

Jesus, o teu desafio
é a vida de compaixão.
Quero ter teus olhos ternos,
tua boca abençoada,
mãos prontas para servir;
quero ter teu coração.
Ajuda-me, bom Jesus,
a tornar-me como és:
não fugir dos sacrifícios,
perdoar a cada irmão,
despojar-me do egoísmo
e viver teu lava-pés.

Repita novamente, com a força do coração, essa prece final.



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