Um auto para o seu Natal I

Entrada triunfal em Jerusalém, Giotto
Texto do rev. Jonas Rezende que retrata um Jesus mais velho, não mais um menino. Um Jesus que tem responsabilidades e compromissos. Esse é um jogral para 6 ou 8 pessoas de ambos os sexos. Um jogral para jovens e não juvenis. Está dividido em 3 partes pela limitação de espaço desse blog.

A multidão celebra a entrada de Jesus em Jerusalém,         Coro entra desencontrado falando):
no domingo de Ramos:
HOSANA!   Bendito o que vem em nome do Senhor!          

Hosana Bendito HOSANA Bendito HOSANA BENDITO        (Coro virando-se para a cruz) 

CRUCIFICA-O!                                                           (forte, junto)

Apenas alguns dias                                                     (tipo: presta atenção.Cuidado!)
separam a celebração festiva do domingo de Ramos
e o julgamento e morte   de Jesus.
Num momento o Cristo é Rei.
E tão pouco depois já é réu.
     
A verdadeira fé                                                               
se expressa em atos costurados pelo amor ao longo da vida
e não na declamação artística e sem futuro.                       (pausa)

Por justiça e com ternura, evoco São Tomé.
O santo que não tem pudor ou vergonha de duvidar,
com decência e honestidade.
Afinal, santo tem de ser retardado? Não pode pensar?
Tem de revirar sempre os olhos para o céu?
Ser conservador?
E as dúvidas de José, noivo de Maria?  

Erasmo de Rotterdan,                                                    (com autoridade)
no seu livro O ELOGIO DA LOUCURA  
se revela corajoso inimigo das unanimidades
e do amém dos desertores morais.
Quero também esboçar O ELOGIO DA DÚVIDA,
em memória e homenagem a São Tomé.                           
que tem a humildade sincera de se expor ao confessar:

- Se não colocar meu dedo nas tuas feridas, Jesus,             (humildade e sinceridade)
não posso crer...                                                            

O cientista cristão, Warwick Kerr,                                    (dando aula)
identifica nessa postura a própria base do saber científico.
Concordo.                                                                     
A atitude de Tomé me lembra a dúvida sistemática, de Descartes.
Só duvida quem pensa e reflete,
quem deseja conhecer mais,   quem está vivo.
Certamente por isso Descartes conclui:
Penso, logo existo.
Tenho profundo amor por todos os místicos que jamais duvidam,  (suavemente)
mas me identifico mesmo é com São Tomé.                      

O mais importante é que Jesus aceita a dúvida                   (com alegria)
e responde à curiosidade do seu apóstolo.                        
Nenhum seguidor do Cristo passou por um processo de conversão
tão bela quanto instantânea.
Nem fez uma profissão de fé mais eloqüente do que a de Tomé
ao Mestre de sua vida:

-Senhor meu e Deus meu!                                                (clamando)

Paul Tillich, teólogo e filósofo nos instrui:                          (lendo como num livro)
“Os que não são capazes de elevar as suas dúvidas até a Verdade,
 que transcende toda verdade finita,
têm de reprimir suas dúvidas
e forçosamente se convertem em fanáticos.“                     
(pausa para pesar)

No humilde presépio sem ter nada seu,                   (teclado e solo)
Jesus pequenino sem nada nasceu.
O céu estrelado e cheio de luz
proclama: Nasceu o menino Jesus !

Eu te amo pequeno menino Jesus.                          (teclado e coro)
Na vida desejo pra sempre o seguir.
Não deixe que nunca me falte tua luz
e ao outro que eu possa amar e servir.

Examinando o nascimento de Jesus,                                 (com espanto)  
sabemos da importância singular do que aconteceu há mais de 2.000   anos...
Uma criancinha que vive neste mundo
sabe agora, sem nenhuma dúvida,
que nada seria mais significativo que o Natal.
Um evento que divide a História em antes e depois de Jesus Cristo.
Uma importância que mais ninguém logrou possuir.             

Este é somente o primeiro passo para chegar mais perto do Menino.       (com claridade)
Ele nasceu para seres humanos mergulhados na escuridão,
na caverna escura, de que nos falou, na Antiguidade clássica, o filósofo Platão.
Ele trouxe para os seres humanos a sua poderosa luz.

A poderosa luz de Jesus!                                               (coro todo)                    


Esta infância não é apenas um fato cronológico,                 (reconhecendo)
mas parte da existência do bom Mestre
que todo coração sensível sempre aquece.

Dados históricos são por certo escassos                           (com preocupação)
e criam mais dificuldades e poucos clarões de inteligência.
Parece certo que Jesus era bem forte.
Do contrário, seria difícil superar os perigos de infecção e morte,
vivendo num estábulo por dias,                                       
dormindo num tosco e rude cocho...
E outras privações quase esperadas pela condição social desta família.

                            (continua)

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