O que é PARÁCLITO?

Adoração da Santíssima Trindade, Dürer
Parákletos é uma palavra que só encontrada nos escritos joaninos. De forma contrária, não encontramos nestes seus escritos o verbo parakalein, que significa suplicar, admoestar e consolar, e nem o substantivo paraklesis, que significa consolação e admoestação, como ocorre muitas vezes no Segundo testamento. O termo parakletos é exclusivamente usado por João e na sua origem grega, esta palavra que foi traduzida para o latim por do latim ad-vocatus, designa aquele que é chamado para dar assistência, uma espécie de advogado. Mas para João ela tem o sentido de auxiliador, “socorredor” e protetor, nunca de consolador, porque para ele o Paráclito está sempre em movimento, é sempre ativo e estimulante, e não fica na defensiva. É este o nome que João dá ao Espírito Santo de Deus. João segue a linha mestra do ministério de Jesus, que intercede por nós e que nos dá assistência, por isso ele diz no capítulo 14 versículo 16 do seu evangelho que Jesus pediu a Pai na certeza de que ele enviaria outro Paráclito, o que nos faz entender que além do nome, João diz também qual é a sua função. Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre.

Não é tão complicado entendermos a função do Paráclito porque temos um histórico de medianeiros, intercessores, anjos, messias e espíritos no Primeiro Testamento, que, segundo a teologia rabínica, exerciam função semelhante. O sentido da palavra Paráclito então pode começar a ser entendida a partir destes termos hebraicos tão difundidos em toda a Bíblia, desde que se leve em conta o novo sentido que a experiência de João a partir da revelação do evangelho o conferiu. Contudo, por mais reveladoras que são as palavras do evangelho, algumas questões ainda prevalecem. João Batista foi o precursor de Jesus, o profeta que aplainaria os seus caminhos e a voz que clamava no deserto, mas não podemos dizer o mesmo de Jesus, porque ele não foi o precursor do Paráclito. Jesus é a figura central do evangelho, nele se consuma as promessas de Deus, pois foi ele quem trouxe a revelação divina definitiva. Está a grande diferença entre Jesus e os medianeiros de todos os tempos, tanto os judaicos quanto os atuais. Mas a obra de Jesus vai muito além da intercessão e do auxílio. Ele é também o redentor, para ele convergem todas as profecias da libertação de Deus , ele é coautor e consumador toda a história da salvação. Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus. Hb 12,2

Então, qual seria a função do Paráclito nos escritos joaninos? Nota-se que a ideia do Paráclito aparece quase sempre em contextos de julgamento, em que há necessidade de um ad-vocatus, pois ele é o defensor, o intercessor e a testemunha de defesa em um tribunal. Ele é esse alguém que apela e que fala por nós diante do tribunal de Deus e do tribunal dos homens. O Paráclito também testemunha em favor de Jesus, confirmando que ele é de fato o Filho de Deus, e que a sua condenação à cruz foi um irreparável erro jurídico, um descabido assassinato judicial. Com respeito à morte de Jesus, Paráclito também vem provar cabalmente que o seu ministério não foi um fracasso total, como intuíram as autoridades da época. Também determina que o pecado está do lado do mundo que não acreditou nele, e que levou até a morte a sua incredulidade.

Mas o Paráclito tem a sua atuação concretizada também nas classes inferiores. Ele é o tutor dos órfãos que foram deixados sozinhos no mundo. Ele é o mantenedor das viúvas, suprindo-as em sua solidão. Ele é o porto seguro do estrangeiro, que não tem pontos de referência fora da sua terra natal. Ele é também o pastor que mantém as ovelhas congregadas, a igreja unida, apesar das grandes divergências que criamos. Que deixa para trás as noventa e nove e vai atrás da desgarrada, pois é ela quem necessita mais da sua assistência. É ele quem dá ensinamento ao leigo e que prova a fé dos maduros. Quem dá direção ao aflito e segura o desamparado. Ele é a glorificação suprema do ministério triunfante de Jesus e a confirmação inequívoca da perfeita comunhão Santíssima Trindade de Deus. 

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