O que é FARISEU?

Pompeu no Templo, Jean Fouquet
Os fariseus formavam um partido religioso no judaísmo, que se aplicava a estudar profundamente a lei mosaica e as tradições desta religião, para propor uma observância mais correta desta lei. Suas maiores exigências recaiam sobre a lei do sábado, os ritos de purificação e os dízimos. Para alguns o nome grego farisaios é derivado do hebraico prusim que significa separado, porque as suas práticas os obrigava a ficar rigorosamente separados dos impuros. Outros dizem que o povo em geral os chamava de “persas”,
a título de zombaria, porque a sua angelologia e a sua escatologia eram muito parecidas com as da religião persa iniciada por Zoroastro, o Zoroastrismo ou Parsismo. Mas eles preferiam ser chamados de haberin, camaradas, que fazia com eles aparentassem uma organização coesa em suas convicções e relacionamentos.

A raiz do farisaísmo remonta do hassideus, mencionados no livro deuterocanônico dos Macabeus, que eram considerados na época como os puros, porque não se deixaram contaminar pelo helenismo, e como os piedosos, porque mantiveram íntegra a sua fé no Deus de Israel. Seu líder era João Hircano I, e agiam como adversários políticos e religiosos dos profanos sacerdotes e príncipes hasmoneus.

Já na época de Jesus caracterizavam-se pela oposição a aristocracia sacerdotal dos saduceus. Embora leigos, os fariseus confrontavam tantos os sacerdotes do templo quanto os anciãos, e contavam com a simpatia do povo, que os consideravam os verdadeiros líderes religiosos, e, uma vez que o partido dos saduceus era composto pelos latifundiários detentores da maioria dos bens, eles seriam o que é hoje o partido dos democratas. Não tinham, nesta época, um programa político, e eram bastante moderados com relação à dominação romana, mas condenavam com veemência os revolucionários zelotes, pregando a ideia teocrática de que se os romanos detém o poder, foi Deus quem assim o quis.

No tocante à teologia, não negavam como os saduceus a existência dos anjos, criam profundamente na ressurreição e eram contrários às formas de culto e de justiça realizada no templo, pois eram fiéis à tradição oral, ou tradição dos antigos, a qual julgavam superior à própria lei. Com a destruição do templo e a extinção da classe sacerdotal, adquiriram também poder político, que dividiam com os escribas.

O juízo mais severo que Jesus fez a eles não foi com relação à sua doutrina, mas à sua hipocrisia e soberba. Não somente no sermão da montanha, como em Mateus 23 Jesus dedica um capítulo especial a eles. Chega a proferir sete “ais” contestando a sua conduta, o seu legalismo e a sua falsidade. Ainda que tivesse amigos entre eles, como Nicodemos, havia entre Jesus e os fariseus uma oposição inconciliável, tanto era declarada esta guerra, que os fariseus diante de Pilatos exigiram a sua condenação.

Mas é bom que se observe também a sua contribuição para com o judaísmo, e, por extensão, ao cristianismo. Basta observarmos São Paulo, o nosso mais conhecido fariseu, em seu empenho em manter a fé livre das seitas que a ameaçavam. Devemos a eles também a preservação quase que intacta do Primeiro Testamento, que sofreu ameaças terríveis por parte dos gregos, selêucidas e finalmente pelos romanos, através de Constantino. Contra eles pesará sempre o zelo exagerado pela lei em detrimento da vida, a sua ostentação de pureza que camuflava um desprezo incontido pela massa ignorante e a sua hipocrisia em tentar manter acesa uma mentalidade exclusivamente jurídica, enquanto a população, como disse Jesus, estava prestes a morrer pela falta de justiça.

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