O que vos parece?

E o que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precederão no Reino de Deus. Mateus 21,28-31
Vinhas vermelhas, Vincent van Gogh
A diferença entre o verdadeiro e o falso profeta não está necessariamente na sua índole e nem precisamente no conteúdo da sua mensagem. Nem todos os falsos profetas da história tiveram ações premeditadas ou visavam de pronto atender às suas necessidades pessoais. Nem todos eles, no início dos seus ministérios, deturparam intencionalmente a palavra de Deus. Alguns, assim como os profetas fiéis, tiveram começos promissores, foram convertidos de fato e foram igualmente chamados por Deus, disso não tenho a menor dúvida. Não podemos imaginar que todos os falsos profetas são, como advertiu Jesus, lobos vestidos de ovelhas. Um bom número dele é constituído de ovelhas travestidas de lobos. Portanto, de nada adianta examinar o currículo de um profeta para, a partir deles, avaliá-lo como falso ou verdadeiro profeta. De absolutamente nada serve a origem, a linhagem ou a escola profética na qual foram criados. Os elementos que formam a base doutrinária, a visão de Reino e a participação nos propósitos de Deus de um profeta, são fatores que possuem linhas muito finas dividindo-os das ações negativas e adversas ao seu chamado inicial. Nem todos são falsos profetas porque assim se dispuseram a ser.

Como na Bíblia nada foi escrito para encher conteúdo ou simplesmente por mero acaso, devemos nos lembrar de que este texto de Mateus é imediatamente seguinte ao texto da figueira estéril, que serviu de base para a nossa meditação dos dois anteriores a este, com apenas uma ressalva, que ele foram analisados e comentados a partir da versão escrita pelo evangelista Marcos. É um dos trechos que corroboram para que estes evangelhos recebam o nome de sinóticos, que permitem ver o conjunto com apenas um olhar. Em ambos os evangelhos Jesus estava vivendo a sua última semana entre nós e preparando o terreno para o confronto decisivo com as forças do mal. Esse embate com os doutores da lei no templo de Jerusalém era apenas um aperitivo diante da grande e sangrenta batalha que lhe reservava o final de semana que definiria os rumos da humanidade.

Jesus, como com rara felicidade registrou João no capítulo treze de seu evangelho, sabia que a sua hora era chegada, vivia a agonia da pior decisão que alguém pode um dia fazer: escolher apenas uma entre duas necessidades urgentes e importantes. Jesus estava dividido entre prosseguir o seu ministério, o que se fazia extremamente necessário, pois ainda havia muitos doentes para serem curados, muitos escravizados pelo mal para serem libertos, seus discípulos mais graduados ainda tinham muito a aprender. Contudo, ele no mais profundo recôndito da sua consciência, sabia que precisava fazer a vontade de seu Pai, e esta é a mais dramática de todas as escolhas. Em breve falaremos especificamente sobre ela. Ou seja, debaixo de todo esse stress Jesus ainda teve a capacidade de parar e contar uma parábola inserida entre duas perguntas. Uma parábola que seria o marco decisivo para orientação de todo aquele que recebe o chamado para fazer a vontade de Deus, que nesta parábola está nitidamente identificado como aquele pai que tinha dois filhos.




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