Maria, a doce mãe de Jesus

Anunciação, Eustache Sueur (1616-1655)
Trecho do livro Mulher, grande é a tua fé escrito por João Wesley Dornellas em 2006.
Quando a querida Zel, minha nora, aproximou-se nossa família no começo do seu namoro com Luiz Otávio, uma das coisas que ela me disse, em nossa primeira conversa sobre religião, é que ela fora criada no catolicismo, tendo estudado em colégio de freiras, e que não gostava muito dos protestantes porque eles não gostavam da Virgem Maria. O que lhe respondi, antes de muitas explicações, foi simplesmente: “pois eu gosto muito”. E ela tinha um pouco de razão. Pela ênfase que os católicos dão a Nossa Senhora, por alguns dogmas da Igreja de Roma, pelo “pede à mãe que o filho atende”, plástico aplicado em muitos carros, etc., etc., os protestantes acabam colocando a figura da mãe de Jesus num plano inferior.

Alguns anos atrás, a Voz Missionária publicou um artigo sobre grandes mulheres da Bíblia, no qual ficou faltando a mulher mais importante de todas, justamente a mãe de Jesus. Muitas pessoas ficam escandalizadas comigo quando digo que posso perfeitamente saudar Maria com os católicos dizendo “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito o fruto do vosso ventre, Jesus”. O que não faço é orar “Santa Maria, mãe de Deus, perdoai os nossos pecados, agora e na hora de nossa morte”. Também já escandalizei muita gente ao dizer, em pleno sermão, apesar das ressalvas de que nós não oramos à Virgem Maria, porque nosso intercessor é Cristo, que, na minha opinião, uma das poesias mais lindas da língua portuguesa é de Manoel Bandeira:
Eu vi minha mãe rezando
aos pés da Virgem Maria.
Era uma santa escutando
o que outra santa dizia.

A doce Virgem Maria é a mulher mais importante da Bíblia, pois o anjo lhe disse que ela havia achado graça diante de Deus e que Deus a convocava para uma grande missão, ser a mãe de Jesus, o libertador da humanidade. Ela era, como acontecia naquele tempo, uma jovenzinha, recém saída da adolescência. A resposta de Maria, simples mas significando uma entrega total à missão que lhe seria confiada, foi: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra”. No chamado Cântico de Maria, uma poesia linda e cheia de significados, ela diz coisas de profunda transcendência: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois agora todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Agiu com seu braço valorosamente; dispersou os que no coração alimentavam pensamentos soberbos. Derrubou dos seus tronos os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos. Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia, a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, conforme prometera aos nossos pais”.

Depois dos sacrifícios da viagem de Nazaré a Belém para o recenseamento, da necessidade de ter o seu filho numa simples estrebaria, porque não havia lugar para eles na estalagem, e ter que colocá-lo numa manjedoura, ela viu surpresa a visita dos pastores e mais surpresa ainda ficou com o relato das coisas que aconteceram nas campinas de Belém, como o anúncio do anjo e do coral composto da milícia celestial que cantava “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem”. Ouvindo isto tudo, Maria “guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração”. Como guardou certamente os problemas do exílio no Egito, as dificuldades da criação do menino, a responsabilidade que tinha de educá-lo no verdadeiro caminho e os 30 anos de luta até que seu filho Jesus começasse a sua missão. Esteve sempre presente na vida de Jesus. Estava com ele nos momentos alegres do casamento em Caná, onde fez o seu primeiro milagre. E estava também nos momentos de perseguição e dor. Como presente estava, angustiada, nos momentos cruciais de sua prisão, de seu julgamento, de sua condenação. Aos pés da cruz onde Jesus estava dando a vida por nós, assistiu todo o seu suplício e ajudou a recolher o seu corpo sem vida. Por tudo isto, e até pela preocupação que Jesus teve com ela já pregado na cruz, nomeando João para que se tornasse seu filho, isto é, cuidasse dela em sua ausência, e, ao mesmo tempo, transformando-a em mãe do seu discípulo amado, provavelmente o mais jovem de todos, Maria é a mulher mais importante da história humana.

A Bíblia não revela muitos dos cuidados que ela tinha com Jesus ao longo de sua vida. Conhecendo o seu caráter, porém, bem podemos imaginar. E nem os grandes pintores e escultores da história humana, nem os que lidam com as palavras, puderam descrever bem o que aquela mulher sofreu no desempenho de uma missão que recebera do Altíssimo quando ainda tão jovem. Por isto tudo, ela é chamada de “mater dolorosa”. Nada, no entanto, a despiu da condição que ela expressou no seu cântico de ser bem-aventurada. A maior das mulheres, a maior das mães, aquela que dignificou o papel da mulher na vida humana, elo entre o divino e o humano, a que possibilitou que os Pais da Igreja pudessem afirmar, para todo o sempre, que “Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”, é realmente o padrão de mulher cristã e o Senhor sempre esteve com ela.

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