Perdido dentro de casa


Ilustração do livro Heroínas da Bíblia 
Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Lc 15,8-10

O grande dilema da existência humana não é exatamente a nossa perdição real e sim sobre a nossa perdição percebida. Nós sentimos que estamos perdidos, esse é o nosso dilema. Na tragédia da nossa vida nos percebemos que estamos perdidos e alienados. Estamos perdidos e alienados de Deus, uns dos outros e até de nós mesmos. Mas se existe uma certeza no evangelho é que em Jesus Cristo nós temos sido achados. Nós acreditamos que Deus nos aceita incondicionalmente. Por meio da fé em Cristo experimentamos a graça de Deus que é gratuita, que é radical, que é incondicional e que é universal. Esta é a boa notícia do evangelho: Nós temos sido achados em Jesus Cristo. E isto não é algo que nós fizemos, não é algo que conquistamos, porque graça conquistada não é graça, graça merecida também não é graça. E a verdade excelente é que Deus, na sua onipresença e na sua onisciência, está nos procurando e está nos achando.

Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la, não vai? Acende a luz, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la. Mas porque tanta dedicação em procurar uma moeda que valeria hoje pouco mais de vinte reais? No tempo de Jesus era o salário de um dia de trabalho sem especialização alguma. É claro que ninguém ficaria satisfeito de perder vinte reais, a não ser que tenha perdido mais e aí preferiria ter perdido apenas vinte. Mas há muito mais coisa envolvida aqui do que o valor financeiro da moeda. Somente conhecendo o contexto da história podemos avaliar o quanto de fato a moeda valia. As mulheres casadas no tempo de Jesus, assim como as de hoje usam uma aliança, usavam uma espécie de colar que era colocado como um frontal na testa chamado de semede, e era feito de dez moedas de prata. Estas dez moedas significavam que o relacionamento com seu marido ia muito bem. 

Então como ela iria justificar a perda de uma dessas moedas? Como ela iria andar na rua com seu colar faltando uma moeda? Seria um escândalo se isso acontecesse. Então, muito mais do que o valor da moeda, a falta de simetria da joia em sua cabeça seria imediatamente notada. Não significaria apenas a perda de uma joia de valor inestimável, mas negligência para com o seu marido, e falta de amor no seu casamento. Por isso ela procurava com tanto afinco a tal moeda perdida. Ela simplesmente tinha que achar aquela moeda, todo o seu casamento dependia disso. E a busca não era nada fácil não. Apesar das casas dos palestinos naquela época serem pequenas, o chão de muitas delas era coberto de terra e algumas partes de capim Havia poucas janelas que permitissem entrada de luz, daí a necessidade da lamparina para revirar a poeira e remexer o capim para encontrar a moeda.



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