O homem de Deus e o profeta I

Dança do bezerro de ouro, Emil Nolde (1867-1955)
Leia I Reis 13.1-22.


Quem está acostumado a ler as minhas postagens deve imaginar que eu fico o tempo todo rebuscando a Bíblia atrás de textos complicados para acrescentar as preocupações que faltavam a vocês. Eu posso garantir que não é nada disso. O que eu trago de fato são as minhas preocupações, porque quando leio determinados textos bíblicos e os comparo com a realidade atual, nada me resta senão preocupantes inquietações, e são estas preocupações que me proponho a dividir com vocês, aqui nessas meditações diárias. De qualquer maneira eu me sinto culpado, porque seria bem mais agradável se eu estivesse trazendo textos conhecidos e tentasse acrescentar alguns elementos recém descobertos ou desconhecidos da maioria. Desculpem-me, mas não foi esse o pastor que a Igreja Cristã de Ipanema ordenou, por isso eu trago mais um texto complicado, e estou certo de que nós vamos mexer num vespeiro.

O texto já começa complicado pelo título “O profeta e o homem de Deus”. Eu sempre pensei que todo profeta, ou pelo menos aquele que a própria Bíblia chama de profeta, fosse homem de Deus. Assim como eu pensava no passado que se abrisse uma igreja, construísse um templo, organizasse, cantasse num coral ou compusesse músicas em nome de Deus, ficaria tudo bem pro meu lado. Eu sempre pensei que tudo aquilo que separamos e dedicamos a Deus fosse imediatamente aceito, e aceito de bom grado, e ai dele se não aceitasse. Não estranhem esta forma de pensar porque não estou sozinho. Muito antigamente teve uma pessoa que pagou muito caro por pensar assim como eu, o nosso velho conhecido Caim. Mas será que somos só nós dois os únicos que pensamos assim ou tem mais alguém que pensa ou pensou dessa maneira?

Ultimamente tenho ouvido na televisão cada mensagem tão estapafúrdia que fico realmente assustado. Curioso que meu medo não é que Deus excomungue esses pregadores por pregarem estas mensagens, e sim que eles excomunguem o próprio Deus. Porque eles declaram tanto, determinam tanto e com tanta veemência, que ai de Deus se não obedecer. Até eu às vezes me sinto na obrigação de obedecer. É bom pensarmos no assunto porque este texto mostra exatamente o contrário. Mostra que existem absurdas diferenças entre o que nós entendemos como coisas de Deus e aquilo que ele realmente aceita como sendo seu. Esse pequeno e complicado texto vem nos dizer que existe um abismo intransponível entre a vontade de Deus e a vontade humana. E eu peço licença para me atrever a mostrar, em rápidas palavras, algumas dessas  diferenças.

A primeira que se pode observar no texto é que a Palavra de Deus é mais dura, mais resistente e mais duradoura do que qualquer altar, seja ele do tamanho que for, seja ele feito de que tipo material tenha sido feito, tenha ele o número de fiéis e simpatizantes que tiver. Nada disso fará diferença, se ele entrar em rota de colisão com a Palavra de Deus. O seu destino já está traçado: vai fender, vai rachar e vai quebrar, não importa o tamanho da boa vontade, nem se foi feito de bom coração. Eu tento imaginar a cara que os discípulos de Jesus fizeram quando ele disse que da maravilha que era o templo de Jerusalém não ficaria pedra sobre pedra. Não estamos falando de qualquer igrejinha não. Estamos falando daquilo que alguns classificam como a maior obra da engenharia humana até hoje. Maior do que todas as antigas e atuais maravilhas. Pois até ele rachou, quebrou e desapareceu.


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