Sinais e prodígios I


Jesus expulsando os vendilhões do templo, El Greco 
Então disse à figueira: — Que nunca mais ninguém coma das suas frutas! E os seus discípulos ouviram isso. Quando Jesus e os discípulos chegaram a Jerusalém, ele entrou no pátio do Templo e começou a expulsar todos os que compravam e vendiam naquele lugar. Derrubou as mesas dos que trocavam dinheiro e as cadeiras dos que vendiam pombas. E não deixava ninguém atravessar o pátio do Templo carregando coisas. Marcos 11,11-26

Meditação baseada em sermão do rev. Garrison.

Quando nos deparamos com textos como este, somos tentados a pensar que Jesus teve, por vezes, atitudes visivelmente destemperadas. Podemos notar também que elas eram mais frequentes aos olhares atônitos daqueles que o seguiam do que diante de estranhos. Parece que estamos diante de duas personalidades distintas: Uma delas, mais suave, mais centrada e mais conciliadora, que era mostrada às pessoas que encontrava pela primeira vez, ou que tinham pouco contato com ele. O diálogo com Nicodemos, com a mulher samaritana e com o centurião servem de bons exemplos. Eu faria exceção apenas à sua conversa com a mulher siriofenícia, com quem também travou um diálogo não muito respeitoso, por assim dizer. Por outro lado, com os de casa, agia totalmente diferente. Logo no começo do seu ministério, escandalizou a sua família a ponto de considerá-lo um estressado sem noção. Depois disso foi só "pauleira": Chamou Pedro de Satanás, apontou o dedo na cara de Judas acusando de traição, chamou Tiago e João de ignorantes, apenas porque reivindicavam um lugar ao seu lado e por aí à fora.

Mas aqui, no texto de Marcos 11, ele conseguiu se superar. Não somente condenou a figueira à esterilidade sem uma razão lógica, como ainda, não satisfeito, baixou o cacete e enxotou as pombas dos cambistas que tão abnegadamente prestavam um inestimável serviço no átrio de templo de Jerusalém. O texto, que é bem rico em detalhes, fala claramente que no dia anterior ele inspecionou tudo que acontecia dentro do templo e tudo mais à sua volta. Aqui temos um dado importante, pois este é um dos poucos textos do evangelho que evidencia o terceiro aspecto do triplex mundi, ou seja, do triplo ministério de Jesus: Profeta, sacerdote e rei. A inspeção do templo era exclusiva incumbência do rei, e aqui Jesus, que pouco tempo antes fora aclamado pelo povo como o Messias bendito que vinha em nome do Senhor, está inequivocamente se anunciando como tal. Então tenham cuidado, principalmente aqueles que privilegiam o ministério real sobre os outros dois. Jesus virá antes para inspecionar o templo. Jesus usou pouquíssimo a figura do rei. Foi a que ele menos deu destaque. Não sei por que ela é tão exaltada hoje em dia. Para o bem da verdade eu até sei, mas não é assunto desta meditação.

Com toda esta riqueza de detalhes fica praticamente impossível que alguém queira crer que esta foi uma atitude impensada ou movida simplesmente por uma indignação momentânea. Ele teve uma noite inteira para refletir sobre o que ia fazer no dia seguinte. Pelo que dá para perceber não foi uma das suas melhores noites. Tudo indica que nem comeu direito, porque logo de manhã cedo teve fome. Mas também não foi, como muitos pensam, um ato de violência gratuita e exagerada. Foi uma atitude tão condizente com a situação, que nem mesmo os soldados romanos se alarmaram ou tentaram detê-lo. Era de tal modo pertinente que os seus acusadores não ousaram arrolar este fato ao processo no dia do seu julgamento perante Pilatos. Mais parecia que Jesus estava fazendo o que muitos ali gostariam de fazer, mas que não faziam porque lhes faltava coragem. Jesus foi o porta voz da indignação de todas as pessoas de bem, o braço direito de todos aqueles que repudiavam aquela situação vexatória em um lugar em que a santidade era exigida.



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