Vontade de Deus

Timóteo e sua avó Loide por Rembrandt 
Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. I Timóteo 2 

Se há um elemento na vontade de Deus sobre o qual Paulo fez questão de não deixar dúvida é o desejo divino de que a salvação seja universal. Mas este importante elemento mostra apenas o ponto de vista de Deus nessa doutrina com a qual a todo instante nos deparamos nas suas diversas e contraditórias explanações. A diversificação denominacional do cristianismo faz com que esta vontade se apresente ao mundo de várias formas e ênfases. Uma coisa, porém, nenhum conceito sobre essa doutrina pode alterar: a vontade de Deus coincide com o seu plano. E foi analisando a mensagem dos profetas, a vida e o ministério de Jesus que Paulo chegou a essa conclusão: Deus realmente não quer que nenhum dos seus filhos se perca.

Tudo o que Deus fez desde a criação está coordenado por um plano, e não por tentativas, erros e acertos. Einstein dizia: Deus não joga dados. Isso quer dizer que Deus não arriscou a sorte em alguns patriarcas, não apostou em reis e nem levou fé na capacidade de alguns profetas com o intuito de nos salvar de qualquer forma. Indistintamente todos os enviados faziam parte de um plano que, embora ainda não esteja consolidado, culminou com o envio de seu Filho ao mundo. Mas ainda que este plano seja universal, ele adquire aspectos particulares, e é exatamente por isso que constantemente oramos: Seja feita a tua vontade, com a intenção de conhecermos qual é a vontade de Deus para a nossa vida.

Eu sei que Deus quer que todas as pessoas sejam salvas, mas onde me encaixo nesse plano? Além dos mandamentos, temos uma Bíblia inteira a nos falar qual é a vontade de Deus para o indivíduo em diversas situações que se apresentam. Mas Deus também quer que, sem negarmos esse ensino, nos empenhemos para conhecer a sua vontade em situações inusitadas, que não somente exige respostas constantes, como também abre um diálogo permanente. Uma vez que a vontade de Deus se resume em atitudes, para cada uma delas esboçamos um questionamento. Paulo dizia que embora tivesse conseguido algum progresso em favor desta vontade, ainda estava longe do que deveria alcançar, deixando claro que o alvo é sempre a superação de si mesmo.

Quando o pastor presbiteriano, rev. Haroldo Cook, completou cem anos, celebrou-se um culto em que a sua trajetória de setenta anos de ministério ativo foi enaltecida. A justa homenagem estendeu-se a pastores de outras denominações, que da mesma forma não pouparam elogios ao incansável missionário inglês em nossas terras. Quando ao fim do culto deram-lhe a palavra, com um tom bastante indignado, disse somente: Cook é nada, nada, nada. Jesus Cristo é tudo, tudo, tudo. Aos cem anos o rev. Cook se deparou com a sua própria insatisfação. Após setenta anos no pastorado não havia chegado a lugar algum. Ele realmente gostaria que tudo o que havia sido dito a seu respeito, fosse a realidade que os seus olhos enxergavam, mas o seu compromisso para com a vontade de Deus somente permitia que visse o quanto ainda faltava para alcançá-la, algo bem diferente do que todos ali viam.

Ainda que exigente, a vontade de Deus vai ao encontro da vontade do homem sem querer suplantá-la, mas para torná-la perfeita. Em pelo menos duas circunstâncias podemos percebê-la.

No curso da História, através de situações inexplicáveis até hoje.
Como de um único homem, nascido no mais ferrenho politeísmo, deu início a mais fantástica experiência de fé vivida por um povo inteiro?
Como os escravos hebreus saíram caminhando livres do Egito, a maior potência mundial da época, sem qualquer resistência?
Como é que a fé em um judeu nascido em um obscuro recanto da Galileia propagou a maior revolução de todos os tempos?
Como homens e mulheres escondidos em fétidas catacumbas fizeram ruir o poderoso império acima deles?
Poderíamos ficar perguntando indefinidamente os como e os porquês, mas o fundamento seria um só: nenhum dos desígnios de Deus pode ser frustrado.

Ainda conseguiu descobrir uma segunda circunstância: a reflexão inspirada.
A aceitação submissa da vontade de Deus não exige a anulação do intelecto, mas uma fé inquestionável na sua justiça. Sabemos que nenhuma mente humana pode compreender por inteiro esta vontade, daí a necessidade da inspiração divina. Curiosamente a primeira coisa que a mente inspirada percebe é a grande distância entre a sabedoria humana e a divina. Em suma: A inteligência do homem não é suficiente para entender a vontade de Deus, mas a inspiração divina lhe abre os olhos para este desafio. Para Wesley, agir conforme a mente de Cristo era ter uma palavra apropriada ao momento, e não a repetição de conhecidos chavões. Não deixar-se levar pela opinião pública nem pelas evidências, porque a isto Paulo chamou de tradição dos homens e rudimentos do mundo.

Mas a vontade de Deus se depara constantemente com o pecado do homem. Ainda que endurecido, este coração continua sendo alvo da sua vontade. Deus está sempre pronto a perdoar o pecador e a livrá-lo de muitas das consequências do seu erro. A mensagem profética, por mais dura que fosse, sempre abria uma rota de fuga, não tanto pelo esforço humano em proceder tal mudança, mas pelos novos atributos que o próprio Deus lhe concedia. Jeremias 29,11 a 13 resume de forma objetiva e irretocável esta iniciativa, que está de forma irrestrita ligada à vontade de Deus expressa na carta que Paulo escreveu a Timóteo: Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.  Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.

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