Discípulos de Emaús

Ceia em Emaús, Velázquez (1599-1660)
Leia Lucas 24,13-33

Há muito se especula sobre as aparições de Jesus após a sua ressurreição. De como ele estava em um lugar e simplesmente desaparecia para aparecer em outro. Especula-se também sobre como era o seu corpo, de que matéria era feito. Da mesma forma especula-se a respeito da sua imagem, com quem ele se assemelhava, qual era a sua aparência, pois numa hora foi confundido como um coveiro, noutra, como no texto acima, como um viajante comum, ou ainda como um pescador à beira do mar.

Mas uma coisa pode-se dizer com razoável certeza: Jesus era o mesmo de sempre, com os traços fisionômicos exatamente iguais como era antes da sua morte. Só que agora, livre da carga emocional,das agonias e das preocupações que o acompanharam durante o seu ministério terreno. Apenas a mudança do seu estado emocional foi suficiente para que sua aparência se transmutasse o bastante para que não fosse reconhecido de imediato. Acontece conosco coisa semelhante quando tiramos dos ombros o peso de uma grande preocupação, não somente as pessoas notam a nossa mudança, mas como nós mesmos nos sentimos diferentes.

Após a ressurreição, as pessoas reconheceram Jesus, não o fizeram pela associação à sua imagem anterior, mas sempre por um detalhe em particular, pela maneira como falava com as pessoas, como foi o caso de Maria Madalena, ou por uma atitude que lhe era peculiar, como o partir do pão diante dos discípulos. Somente após identificá-lo por algum detalhe é que elas passavam a conciliar a sua nova aparência com a pessoa que lhes fora tão familiar. Mas saindo do terreno da especulação, percebemos que o principal motivo das suas aparições não foi mostrar o seu novo visual, nem provar para as pessoas que o crucificaram que elas estavam erradas, mas sim para ensinar aqueles que estiveram junto com ele em sua caminhada, a importância de se dar continuidade a esta caminhada. Os discípulos no caminho de Emaús, na verdade, estão representando todos os discípulos em todos os tempos e todos os caminhos. Simbolizam o que todos os discípulos que precisam aprender: coisas importantes e urgentes que ainda não sabem.

A primeira lição que se pode tirar da caminhada dos discípulos de Emaús, é que, diferentemente da caminhada de Jesus que começou na periferia e foi para Jerusalém, estes discípulos discípulos estavam caminhando no sentido oposto. Isto é, indo de Jerusalém para a periferia. A princípio parece um mero detalhe sem importância, afinal, foi o próprio Jesus quem ordenou que o seu evangelho fosse pregado em todos os lugares, em Jerusalém, Judeia, Samaria e até nos confins da terra. Mas este pequeno detalhe possui implicações tremendas. 




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