Haiti, ai de ti II

Jesus acalma a tempestade, ww.doosonmoa.tistory.com
Paul Tillich ressalta que as palavras de Paulo em Romanos 8, o texto que diz que nada pode nos separar do amor de Deus, tem uma ligação direta com o que Jesus disse de mais inquietante nos evangelhos, quando nos conclamou a não nos preocuparmos com os elementos essenciais à nossa vida, como roupa e alimentos, e sim buscarmos primeiramente o Reino de Deus. Ele diz que provisão líquida e certa do alimento, sinalizada por Jesus, se coloca tão antagonicamente aos fatos trágicos do nosso dia a dia. Podemos dizer que ter fé na providência divina é um ato de fé que desafia sobremaneira a realidade em que vivemos. O desafio permanente de anunciar um Deus bom, divino e amoroso num mundo assassino, demoníaco e excludente. Esse também é o maior problema da fé cristã, conciliar o amor de Deus com um mundo de tanto ódio, pois este é o lugar exato onde o ateísmo lança a sua âncora.
Para Tillich, esta hesitação não tem nada a ver com a nossa concepção de Deus. Onde ele está? O que está fazendo? Ou por que não atende? Tem a ver com a angústia do ser humano que é incapaz de resistir às forças destruidoras que o mundo, a todo instante, tenta exercer sobre ele. E que forças são essas? As mesmas citadas por Paulo em Romanos 8: O horror da morte, as incertezas da vida; a obscuridade do futuro, a ambiguidade do presente; imprevisibilidade das catástrofes. Então, qual poderia ser o sentido da providência divina no contexto em que vivemos hoje? Logicamente que não é a ingênua promessa de que tudo acabará bem, porque nem tudo acaba bem nessa vida. Também não significa que a esperança prevalecerá, porque também há casos onde não se pode ter esperança alguma.
Então qual seria o sentido da Providência quando a morte constantemente nos assola? Quando o horror da guerra impera? Quando as injustiças sociais e econômicas condenam pessoas a viverem em áreas de alto risco? Quando as tragédias de um passado recente, voltam a nos assombrar? É justamente nessa hora que somos chamados, diante dos que não creem, para desafiar os horrores da realidade com o ato mais inconsequente da nossa fé na providência, e dizer: Nada pode nos separar do amor de Deus. Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o futuro: nada, nada nesse mundo de ódio e de vingança, pode nos separar do amor de Deus em Cristo. E é somente neste sentido que podemos afirmar com toda convicção que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus. (continua) (anteiror)

Leitura: Salmos 44.

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