Juízo enquanto houver história

A vinda do Espírito Santo, autor não identificado
Quando o Auxiliador vier, ele convencerá as pessoas do mundo de que elas têm uma ideia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus. João 16.8

Que o Direito é sempre ditado pelo mais forte, desde antes de Hamurabi o mundo todo sabe, mas por meio de Abraão o mundo veio a conhecer um Deus que atentava mais para o relacionamento entre as pessoas do que propriamente com ele. Praticar a injustiça contra qualquer pessoa tornar-se-ia um delito cometido diretamente contra ele. A justiça deuteronomista versava sobre os mais diversos aspectos da vida: obrigações para com Deus, vida privada e comunitária, deveres e direitos do cidadão comum, deveres dos reis e governantes, regulamentos militares, poder judicial e direito penal. É por isso que as complicadas palavras de Jesus no texto de João dificilmente encontrarão explicação em outra sequência de acontecimentos fora da história de Israel. Além do que, ele estava antecipando a sequência de acontecimentos em sua própria história, acontecimentos que se dariam em breve, mas que marcariam para sempre a História.
Convencer o mundo de que os culpados condenaram um inocente, e que, na sequência do julgamento, da sentença e da execução de Jesus, Deus faz uma inversão dos resultados. O sistema que o condenou sai condenado. Deus abriu outro processo em uma estância superior, e enviou o seu Espírito como relator, promotor e juiz do processo, cuja finalidade última e convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
Convencer o mundo de que só pode haver redenção na justiça. Não na justiça que privilegia o direito legal, mas que faz a balança pender para o lado do fraco, do aflito, do indigente e do sozinho, aqueles a quem os profetas identificaram como os órfãos, os estrangeiros e as viúvas. A igreja não está sujeita a julgamento enquanto se mantiver ao lado destes, sabedora que esta escolha lhe trará perseguição e atrairá sobre si o ódio do mundo. Por isso, e somente por isso, o Espírito é enviado para consolá-la. Através do consolo que recebe do Espírito de Deus, mais consolo a igreja tem a oferecer aos que tem fome e sede de justiça.
Convencer o mundo de que paira um juízo sobre as suas más ações e intenções. Definitivamente a condenação de inocentes precisa ter um basta. A prática da injustiça não pode continuar prevalecendo. Que Israel nos sirva de exemplo, pois o que aconteceu na morte e ressurreição de Jesus, pela atividade do Espírito continuará acontecendo. É um julgamento eterno, enquanto houver história.

Leitura: João 16,4-15


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