Nenhum outro nome II

Reunião do Sinédrio, James Tissot
A salvação só pode ser conseguida por meio dele. Pois não há no mundo inteiro nenhum outro que Deus tenha dado aos seres humanos, por meio do qual possamos ser salvos. Atos 4.1-21

O que os sacerdotes do templo estavam tentando fazer com Pedro e João é uma tática de guerra bem difundida: dividir para vencer. No caso específico do paralítico do templo, a ideia era desassociar o milagre, que era real e palpável, do verdadeiro agente da cura. Curar em nome de um deus não seria problema algum. Muitos curandeiros existiam naquela época. Mas quando os apóstolos curavam em nome de Jesus eles estavam deflagrando um projétil que ia muito além da simples restauração da saúde. Uma bomba relógio que estava pronta para implodir toda a estrutura social, política, financeira e moral daquela sociedade.

Essa é uma prática comum também em nossos dias. Quando deixamos que o evangelho atue somente em determinadas áreas da nossa vida os seus opositores pulam de alegria, porque é isso que eles tentam incutir na cabeça das nossas crianças desde o ensino fundamental. Eles permitem que Deus tenha criado o mundo da Bíblia, onde as suas narrativas não passam de contos de fadas. Mas não perdem oportunidade de dizer que o mistério da criação de verdade Darwin já desvendou: nós somos criaturas de meros processos aleatórios. Eles não imaginam que os assírios, babilônicos, egípcios, persas, sírios e macedônicos muitos antes de Darwin já tinham formulado a teoria de tentativa e erro proposta por ele.

Agora vejam como funcionam as lógicas dos sacerdotes e dos evolucionistas. A fé cristã pode circular livremente em algumas áreas, desde que não interfiram em questões de maior importância, desde que não sirvam de parâmetro para as grandes decisões.

Digam-me se não é exatamente desse jeito que temos vivido. Não estamos elegendo os nossos representantes simplesmente porque eles são da nossa igreja? A poderosa e nefasta bancada evangélica não está lá por mero acaso. Não é fato que suplicamos a direção de Deus somente quando a nossa vida financeira vai mal? Não aceitamos como natural que os nossos filhos tragam conceitos materialistas da escola para dentro de casa? Não nos extasiamos diante das fantasticamente produzidas ridicularizações da Bíblia nos programas científicos que passam na TV?

Voltando ao nosso texto vamos perceber que o conceito de salvação introduzido por Pedro no embate com os sacerdotes é algo que está completamente esquecido por nós hoje em dia. Para o nosso atual entendimento a salvação está restrita à vida após a morte, e quando muito a um ou outro aspecto moral. Mas essa não é a salvação pela qual Jesus viveu e morreu. O conceito de salvação nos evangelhos abrange todos os aspectos dessa vida. Esse era um pensamento tão enraizado na igreja do primeiro século que Paulo precisou estendê-lo também à vida pós morte: Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo (I Co 12.19). Ou seja, Paulo precisou fazer o contrário do que seria preciso hoje. Ele hoje diria que se a nossa esperança em Cristo só vale para a outra vida, nós já estamos mortos e não sabemos.

Para que se tenha uma breve noção do que as palavras gregas sotéria e sotênai usadas por Lucas na narrativa de Atos 4.12 aqui vai uma pequena lista: segurança, salutar, preservação, existência feliz, recompensa pela salvação da vida, oferta por uma cura, consumir, perdoar, salvar da extinção, guardar na memória e ensinar. Para propiciar que todas estas coisas sejam reais, Pedro diz que não há nenhum outro nome debaixo do céu que não seja o nome de Jesus, o Cristo de Deus.

A pergunta dos sacerdotes era a seguinte: — Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso? Em nome de que poder vocês curam um paralítico? Uma vez que eles não podiam contestar o milagre, pois o curado estava em pé bem diante deles, e por outro lado, toda Jerusalém tomou conhecimento do fato, não havia como negar a realidade. Então a saída era tentar proibir a repercussão do milagre a outros aspectos da vida.

Enquanto a mídia nos distrai com ilegalidade de um e de outro candidato, mais nos esquecemos de que Deus é quem realmente governa. No Salmo 146 o salmista já tinha deixado claro como deveria ser a vida do que tem o Deus de Jesus Cristo como seu Deus: Não ponham a sua confiança em pessoas importantes, nem confiem em seres humanos, pois eles são mortais e não podem ajudar ninguém. Quando eles morrem, voltam para o pó da terra, e naquele dia todos os seus planos se acabam. Feliz aquele que recebe ajuda do Deus de Jacó, aquele que põe a sua esperança no Senhor, seu Deus, o Criador do céu, da terra e do mar e de tudo o que neles existe! (continua)

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