Estado laico 5

Religião e política
O que dificulta o debate da questão, e impossibilita até mesmo o estabelecimento de qualquer norma a respeito, é que nem os homens públicos nem os religiosos têm uma ideia clara tanto sobre a natureza da religião quanto a do próprio estado, nem existe um consenso entre uns e outros. O que é muito natural e saudável; desastroso seria se fosse diferente.

A França talvez seja o país onde o assunto venha sendo mais amplamente considerado. Lá, numa ponta, há quem ache que, num estado laico, a religião deveria se restringir ao espaço privado de cada indivíduo ou comunidade religiosa, como igrejas, templos, sinagogas, mosteiros, terreiros...; não poderia ocupar espaços públicos, inclusive na imprensa; nem opinaria sobre questões de estado. Na outra ponta, está quem pensa que implicaria em um estado que facilitasse e mesmo promovesse o diálogo entre as religiões e entre elas e a sociedade, incentivando as expressões religiosas que contribuíssem para o bem estar social.

No Brasil, de acordo com uma campanha veiculada pela mídia, significaria simplesmente que o estado não tem religião oficial, de modo que cada cidadão seria livre para escolher uma ou nenhuma, mas não há clareza sobre no que isso implica na prática. Há, entretanto, os que pensam que essa liberdade não dá a ninguém o direito de opinar sobre a crença do outro, ainda que respeitosamente, nem de se meter em questões de estado com base em suas convicções religiosas. Visão que parece difícil de encaixar naquilo que temos aprendido sobre o que seria um regime verdadeiramente democrático.(continua)

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