O pecado capital e a preguiça

Pecados capitais, Pieter Bruegl
Em todo trabalho há proveito. Salomão (Provérbios 14.23)

Texto do rev. Jonas Rezende.
        
Há quem veja uma relação entre o trabalho e a maldição, quando interpreta incorretamente o texto bíblico que afirma: “Com o suor do seu rosto você comerá”. É natural que, num mundo onde a harmonia de Deus é quebrada pelos desvios do homem, o trabalho termine como maldição. Aí está a nossa sociedade de consumo, onde os desprotegidos não consomem, mas são literalmente consumidos na máquina implacável do cotidiano.

Mas quero reafirmar o que você, certamente, não ignora: o trabalho digno realiza o homem e lhe traz um sentido superior para a vida. Aí está o significado da sábia afirmação de nosso texto: “Em todo trabalho há proveito”.

Os especialistas nos explicam por que tantas pessoas morrem logo depois da aposentadoria: O ser humano não consegue viver bem sem se sentir útil aos que o cercam. Entre outros problemas, maiores e menores, esta é também a tragédia dos desempregados, que terminam por perder o respeito próprio, já que não são respeitados pela sociedade. Afinal, o nosso autoconceito reflete o conceito que os outros fazem de nós.

Não existe trabalho mais ou menos importante: os grupos humanos sobrevivem na interação. O lixeiro precisa do medicamento do cientista, mas o sábio não pode trabalhar no meio de seu próprio lixo.

Harvey Cox, em seu livro Que a Serpente Não Decida por Nós, opina ajuizadamente que o pecado original não é o sexo ou o egoísmo, como sempre nos fizeram crer, mas a preguiça. Isto é, o pecado básico é não ser sujeito da própria história, e deixar que uma serpente decida qual será nosso destino.

Acho que não existe nada que possa sacudir o preguiçoso de forma tão eficiente quanto o samba de Chico Buarque de Hollanda:
Vai trabalhar, vagabundo...

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