Olho no olho II

A adúltera, Scott Zambelli
Todo mundo necessita de ser necessitado. Saber que somos importantes para alguém, saber que alguém depende de nós, cura as feridas as feridas na nossa insegurança e nos ajuda a reconhecer a importância dos outros.

O que pode nos ajudar como reconhecer os outros é saber, de fato, o que não é reconhecimento. Deixe-me explicar negativamente. O reconhecimento do valor dos outros nem sempre é sincero. Normalmente não passa de uma tática para manipular os outros. Eu digo ao outro o que ele deseja ouvir somente para agradá-lo. A intenção do agrado é fazê-lo servir aos meus propósitos. A lisonja e a conversa insincera é um reconhecimento que tem um efeito totalmente negativo. E a pessoa lisonjeada se sente tapeada ou inibida. Isso nos faz entender o porquê dos nossos elogios serem tão suspeitos.

Mesmo necessitando tanto de reconhecimento, as pessoas se põem na defensiva cheias de desconfiança. Isso é uma pena porque há pessoas no mundo se matando por falta de reconhecimento. É uma necessidade para a vida humana tão grande quanto a de água e de comida. Nossa sociedade é faminta de atenção. A maioria de nós vive num estado de déficit de afeto. Nós vivemos uma economia de amor. Temos mostrar nossos sentimento e nosso amor para com os outros. Os nossos melhores esforços são sempre recebidos como alguma segunda intenção.

Somos domesticados a ser assim porque desde a infância nos ensinam:
Não faça elogios quando você achar justo.
Não faça elogios quando é você quem necessita ser elogiado.
Não aceite elogios quando você os quiser.
Não faça elogios a si mesmo.

Tenho que pensar nestes fatos quando leio que Jesus entrou na casa de Zaqueu, o publicano. Tenho que ter esse código em mente quando leio que Jesus aceitou o perfume daquela mulher da vida. Tenho que medir o grau de reconhecimento de Jesus para com as pessoas que estavam impossibilitadas de receber qualquer tipo de reconhecimento pela religião oficial. Jesus não precisou descumprir a lei para aceitá-las, embora isso fosse interpretado como uma grande ofensa ao princípio religioso.

A afirmação de Jesus Cristo é a resposta de Deus ao grito humano de ser aquilo que realmente tentamos nos tornar. A afirmação de Jesus Cristo é a resposta de Deus ao grito humano de ser aquilo que realmente desejamos ser. A fé cristã nada mais é do que a nossa aceitação do fato de sermos aceitos por Deus. Não é um instrumento de poder, e sim uma resposta do nosso reconhecimento por Deus.

Muito dessa inversão de valores que é tão condenada pela a igreja de hoje, a Bíblia chama de Boa Nova, ou Boa Notícia. Esta é a boa notícia: Jesus ama os pecadores. Jesus valoriza a pessoa por trás do seu pecado. 

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