Entrega errada

Entrega teu coração a Jesus, Gods Word
Nenhum pecador jamais foi salvo por entregar seu coração a Deus. Não somos salvos por nossa entrega. Somos salvos pelo que Deus nos entregou. Artur Pink

Se existe um verbo que pode causar confusão nas traduções da Bíblia para o português é o verbo entregar. Por mais simples que pareça o ato da entrega, no contexto bíblico ele esconde significados diversos e até mesmo alguns controversos. Um exemplo bom disso é o uso do mesmo verbo para o apelo que as Escrituras fazem às pessoas pela entrega de se mesma em relação à narrativa de Paulo em I Coríntios sobre a Ceia do Senhor, quando ele diz: na noite em que Jesus foi entregue.

Logicamente que a proposta da carta paulina era falar de uma entrega covarde, o mais próximo possível de uma traição hedionda. Uma exposição que algumas traduções insistem em usar realmente o verbo trair, revelando de maneira objetiva a raiz deste inexorável mal: na noite em que Jesus foi traído.

Mas o fato é que a hinologia atual, principalmente a que se autodenomina hinologia gospel, introduziu nas igrejas uma doutrina totalmente equivocada quanto ao apelo inserido no provérbio bíblico “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos”. Esta breve insinuação, que fala mais propriamente de uma relação familiar, e que está mais ligada ao quarto mandamento que exige dos filhos uma atenção especial para com os seus pais, tornou-se, no pensamento desta nova geração de evangélicos neopentecostais e no pensamento daquele que se propõem a lhes serem semelhantes, uma condição inviolável para a salvação.

O meu companheiro de blog e particular amigo rev. Jonas Rezende sempre que fazia alusão a este texto, dramatizava uma hilariante e curiosa situação em que o indivíduo arrancava do peito o coração e perambulava com ele nas mãos pelas ruas procurando Jesus para fazer a tal entrega.

Todas as insinuações feitas durante as liturgias cúlticas em que o ser humano esboça ter parcela fundamental na sua salvação são tentativas claras de relativizar a cruz de Cristo, fazendo com que tenhamos algum mérito e sejamos coautores da nossa redenção.

Isso tudo não passa de um belíssimo tiro no pé, uma vez que Jesus declarou que foi enviado para redimir as ovelhas perdidas da casa de Israel; que não veio para os saudáveis e sim para os doentes; e disse explicitamente disse a Zaqueu que veio buscar o perdido. Ou seja, a única condição para a salvação é o estado de pecado. Foi por esse infame pecador que Jesus se entregou ao escárnio, ao flagelo, à crucificação e à morte.

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