O trabalho que descansa

Novo amanhecer, Rakesh Syal
Tomem sobre vocês o meu jugo, e aprendam, de mim, porque sou manso e humilde de coração; e acharão descanso para a vida de vocês. Jesus Cristo (Mateus 11.29)

Texto do rev. Jonas Rezende.
                 
Se você ler toda a passagem da qual retiro o presente texto, vai perceber que Jesus faz uma clara opção preferencial pelos pequeninos e sofredores. Olavo Bilac vê esta opção desde o Natal: “Foi para os pobres o seu primeiro olhar.” Mas é preciso destacar que também os desprotegidos fazem uma opção preferencial pelo Cristo. O mesmo Bilac também registra: “Os pobres trouxeram oferendas/para quem tinha de morrer na cruz.”

Quero, no entanto, chamar a atenção para algo intrigante que percebemos nas palavras de Jesus. Ele promete descanso, mas coloca trabalho sobre os ombros dos homens: “Tomem o meu jugo.”

O trabalho, afinal, descansa? Minha resposta é sim, desde que não seja trabalho escravo e vil. O que é a chamada terapia ocupacional senão a libertação através do trabalho?

A Eucaristia é vista pela Igreja cristã como um importante sacramento. E esta visão é correta. Mas a Eucaristia é também uma forma política de viver e agir. Jesus coloca o seu corpo, sua vida, a serviço do ser humano, para a libertação integral do homem: “Isto é meu corpo... o meu sangue”. E nos pede ao mesmo tempo: “Façam o mesmo, em memória de mim.” Isto é, façam como eu; assumam o trabalho que justifica nossa razão de ser no mundo. Assumam este trabalho, ainda que com sacrifício.

Maurice Maeterlinck nos lembra:
Só se torna eficazmente generoso ou verdadeiramente humilde quem tem sobre si mesmo um sentimento esclarecido e confiante. Cumpre-nos sacrificar a este fim até a própria paixão do sacrifício; porque o sacrifício não deve ser um meio de nos enobrecer, mas sim o sinal de um enobrecimento.

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