Fogo estranho de novo

Nadabe e Abiú, autor não identificado
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.  Levítico 10.1-2

Há um ano e meio falei sobre este texto fazendo alusão à condução em carro aberto de uma réplica mal enjambrada da Arca da Aliança. Hoje me sinto na obrigação de voltar ao texto quando li que uma igreja tradicional conclamava seus membros para comparecerem em um dia e hora determinados com a finalidade de promover um grande clamor a Deus.

Já faz um tempo proibi a mim mesmo frequentar reuniões com tendências neopentecostais. Fiz isso porque já não suportava mais as macaquices que estavam sendo agregadas à forma simples e objetiva do culto que é requerido por Deus para si nas Escrituras. Venho acompanhando as mensagens do rev. Alan Kleber sobre esse tema, e justamente neste domingo ele pregou sobre este mesmo texto. Não aconteceu que ao chegar em casa me deparei com a convocação da referida igreja para uma prática, que hoje em dia pode até ser comum, mas que é completamente estranha ao ensinamento bíblico?

Reunião de Clamor por Avivamento, onde existe semelhante coisa na Bíblia? Até onde alcança o meu conhecimento posso identificar duas ocasiões mencionadas no Texto Sagrado. A primeira quando Arão fundiu um bezerro de ouro, fato que o livro do Êxodo narra da seguinte maneira: Ex 32.6 - No dia seguinte, de manhã cedo, eles trouxeram alguns animais para serem queimados como sacrifício e outros para serem comidos como ofertas de paz. Depois o povo sentou-se para comer e beber e se levantou para se divertir. A segunda aconteceu no Monte Carmelo onde Gezabel reuniu quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e quatrocentos de Aserá para confrontarem um único profeta de Deus. Reparem no resultado: I Rs 18.27-28 - E sucedeu que ao meio-dia Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará. E eles clamavam em altas vozes, e se retalhavam com facas e com lancetas, conforme ao seu costume, até derramarem sangue sobre si.

Não me parece serem muito recomendadas as reuniões de clamor, mesmo porque Deus não se ausentou, não está dormindo surdo menos ainda. Pelo contrário, Jesus nos ensinou que a eficácia da oração está justamente na solidão e na surdina: Mt 6.6 -Mas você, quando orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.

Na realidade este é mais um fogo estranho que estão introduzindo no culto a Deus. Reparem que os filhos de Arão prepararam os elementos de culto de boa-fé, na intenção de fazer o melhor para Deus, mas foram severamente punidos por isso. Então, pode ser que o que está sendo feito tenha uma conotação de fervorosa piedade, ou mesmo denotar uma fé comprometida, mas no fundo é fogo estranho mesmo. Não podemos comparecer na presença de Deus da melhor forma que a nossa consciência intui ou recomenda. O culto a Deus é uma prática estabelecida por ele. Ele é quem diz quando e de que maneira quer ser adorado. Nunca poderá ser uma opção tampouco uma adaptação. Culto é culto.

Quer se juntar para clamar; quer subir ao monte, quer estabelecer regras de conduta, quer inovar adorações que o façam, mas não façam em nome de Deus porque ele não nos pediu nada semelhante.

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