O que são KEBIT e QERÊ?

Caneta e caderno de Moisés
Ketib do hebraico q'tíb: “o que está escrito” no texto massorético do Primeiro Testamento, em oposição a Qerê: “o que se deve ler”. As siglas K e Q (Ketib e Qerê) encontram-se freqüentemente na margem das edições e dos manuscritos do texto hebraico.

Por respeito ao texto consonântico tradicional os Massoretas não quiseram ou não ousaram mudar nada nesse texto, nem sequer quando estavam convencidos de haver algum erro. Em tal caso indicaram o erro, anotando na margem o texto que eles julgavam correto; este devia então ser lido. Em muitos casos o Q foi colocado por motivos teológicos ou de maior conveniência, ou para facilitar a pronúncia do texto que não estava ainda munido de sinais para as vogais. Nestes casos o Q não tem valor para a crítica do texto. Outros casos há em que se discute se o Q deve ser interpretado como testemunha de um outro manuscrito, julgado melhor pelos Massoretas.

Em particular, podemos distinguir três casos:

11 O Q dá uma versão diferente. Neste caso, um pequeno círculo acima da palavra a corrigir remete à margem, onde estão anotadas as consoantes da outra versão, ao passo que as vogais da mesma se encontram no texto, debaixo da palavra corrigida. Em Ez 1.8, por exemplo, o K dá toydw, com as vogais i e e; na margem está, como Q, w ydy. Deve-se ler, portanto, vvídê (e as mãos de), ao passo que o K supõe a versão evidentemente errada: w ‘yãdõ (e a sua mão) ou w cyãdãw (e as suas mãos). Em alguns casos põe-se sempre o sinal Q, mas não o texto que deve ser lido, supondo-se este como conhecido. O exemplo mais conhecido é o nome divino de Javé, que nunca podia ser pronunciado; é escrito yh w h mas com as vogais de 'ãdõnãy (Senhor) ou de ’élõhím (Deus); em BH K 3 com as vogais de s'mã’ (o Nome). Num caso como este, fala-se em "Q perpetuum”.

22 O Q chama atenção sobre uma lacuna no texto. Isto se faz, anotando-se na margem as consoantes da palavra a ser acrescentada, e as vogais no texto, no lugar onde tal palavra deve ser inserida. Em Rut 3,17, p. ex., o K tem ’ãmar ê a, o Q, ’ly; o todo quer dizer: leia ’ãmar ’êlay (êle me falou).

33 Quando o texto tem uma palavra demais, então esta não é vocalizada, e na margem se põe: k°tíb w'hY q'rê (está escrito, mas não se lê).

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