O que fazer com as coisas velhas?

Homem novo e homenm velho, Prince Amine
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Paulo de Tarso (II Coríntios 5.17)

Texto do rev. Jonas Rezende.

A ideia do novo percorre como seiva a Bíblia toda, especialmente o Novo Testamento: novo nascimento, vinho novo, remendo novo, renovação da mente, novidade de vida, novo céu e nova terra.

Há uma pergunta que surge naturalmente, e quero partilhá-la com você: o que fazer com as coisas velhas? Jogá-las na lata de lixo? É claro que não. Paul Loffler nos previne que, se rompermos completamente com o passado, terminamos por perder “o sentimento de continuidade histórica”.

Creio que, para compreendermos essa declaração do apóstolo Paulo, é importante refletir sobre a ideia que a Psicanálise tem do passado: não podemos anulá-lo nem mudá-lo; não existe o verbo desacontecer, desviver. Mas podemos, isto sim, assumir uma posição nova diante dos fatos Passados.

É assim que faz a nova criatura. Digere o passado, incorpora-o, como a larva come o ovo, antes de tomar-se borboleta. E parte em busca do eternamente novo, do crescimento sem teto. Já os velhos gregos diziam que o homem é um ser inacabado, está sempre se fazendo, renovando-se.

O sociólogo Francesco Alberoni, em seu livro Gênese: Como se Criam os Mitos, os Valores e as Instituições da Civilização Ocidental, lança luz sobre este assunto. As instituições passam, para ele, por diferentes fases: o estado nascente, que pode esgotar-se ou se transformar em movimento. E o movimento se toma, finalmente, instituição. O estado fundante e o movimento são cheios de emoção, mas a instituição pode perder, com o tempo, toda a vitalidade. E preciso, então, sempre voltar à ideia inicial para salvar as nossas instituições. Voltar ao “amor primeiro”, como nos diz o Cristo. Fazer tudo novo outra vez.

Walt Whitman nos ajuda a entender esse processo de renovação através de sua instigante poesia. Diz ele:
Necessidade inefável no céu e na terra jamais saciada!
Eia navegante, larga tuas velas para explorar e descobrir.



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