Calem-se diante dele II

Nadab e Abiú, Doré
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.  Levítico 10.1-2

Não fica a impressão que, assim como os filhos de Arão, estamos sempre atrás de algo estranho para introduzir no culto? Não seria esse o sinal definitivo de que não estamos mais conseguindo diferenciar o profano do sagrado, ou do consagrado? Digo isso não levando em conta apenas a introdução de práticas impróprias extraídas de rituais próprios de outros credos, mas principalmente pelo fato de profanarmos o que já foi taxativa e historicamente consagrado, como a Bíblia e o batismo e outros. Estamos levando fogo estranho à presença de Deus e assim desconsiderando completamente o enorme sacrifício que foi levado a cabo para nos libertar de vez de todas essas crendices e superstições.

Não sei ao certo se Deus agirá conosco exatamente como fez com os filhos de Arão, mas com certeza estamos cada vez mais tornando os nossos cultos indignos da sua presença. Mais grave ainda é que não vemos um fim ou mesmo ou sequer um limite para essas invencionices mirabolantes.

Onde estão os sacerdotes do Deus Vivo que deveriam estar vigiando o fogo consagrado para que ele não se apague de vez? Onde está a igreja que continua sabendo apenas pela imprensa as falcatruas e estapafúrdios que estão acontecendo dentro dela?

Aqueles que ainda pensam que qualquer som ou gesto bem intencionados seriam apropriados ao culto a Deus, recomendo que pense sobre este este texto: Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam. I Reis 6.7

Contraditoriamente à ordem do mandamento de Deus legado a seu povo através do profeta Habacuque: O SENHOR está no seu santo Templo; que todos se calem na sua presença. (Habacuque 2.20), constatamos um aumento crescente do número de pessoas que têm usado o privilégio de falar durante os nossos cultos, algo que nas igrejas antigas era permitido apenas aos sacerdotes, aos presbíteros e guias-leigos e, muito excepcionalmente, em interregnos curtos, para algum aviso importante e de interesse da comunidade, isso depois de sérias ressalvas. Atualmente não é assim. São orações fora de contexto, sermões antes e depois de cada apresentação gospel, desarmonia total da ordem de culto, irrupções de línguas estranhas e supressão de momentos litúrgicos fundamentais. Não somente os pastores têm pregado em um timbre quase insuportável de voz, mas o culto cristão em si é hoje sinônimo de barulheira, agitação e êxtase descontrolados.

Parece-me que nunca mais levaremos em conta a ordem do calem-se. Essa é uma determinação que não se aplica somente às palavras, mas a qualquer ruído estranho que possa acontecer no culto a Deus.

Achamos estranho o fato de Deus ter mantido o seu povo no deserto pelo longo período de quarenta anos. Porém, esse seria o tempo mínimo para que se esquecessem das práticas pagãs aprendidas em quatrocentos anos no Egito. Mas parece que ainda não foi suficiente. Mesmo depois, Deus ainda reafirmou a proibição de qualquer costume minimamente parecido com adoração pagã: Portanto, guardareis a obrigação que tendes para comigo, não praticando nenhum dos costumes abomináveis que se praticaram antes de vós, e não vos contaminareis com eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. Levítico 18.30 (continua)

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