O que é a mensagem da Cruz? II

Cruz viking, século XVIII

Texto gentilmente cedido pelo rev. Alan Kleber, pastor da Igreja Presbiteriana de Aracaju.

Introdução
Na última pastoral vimos que muitos questionavam a mensagem do apóstolo Paulo procurando sinais ou sabedoria. Tanto judeus como gregos perguntavam a Paulo: mas afinal, o que é a mensagem da Cruz? Quando olhamos para esse texto, encontramos pelo menos três grandes considerações. A primeira delas é que mensagem da cruz é cristocêntrica em seu conteúdo.

Hoje veremos a segunda característica da mensagem da cruz. Nos versículos 3-4, Paulo diz: "E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder".

2. Revela a Fraqueza Humana e o Poder do Espírito (vv. 3-4).
Sêneca, um filósofo estoico contemporâneo de Paulo, ensinava que "... o verdadeiro sábio é o que coloca a sua confiança na razão". Para Sêneca, sabedoria é o perfeito bem da mente humana. O sábio está cheio de virtudes divinas, e é "o pedagogo da raça humana". Entretanto, o homem sábio de Sêneca é meramente o homem auto-suficiente de Paulo, cuja jactância, precisava ser vencida, se ele desejasse conhecer a sabedoria de Deus.

No versículo três, Paulo não hesita em lembrar aos crentes da igreja em Corinto, que em contraste com a afirmação de Sêneca e dos demais filósofos, ele havia anunciado o Evangelho da cruz "... em fraqueza. temor e grande tremor" (v. 3). A filosofia grega revelava a soberba e arrogância dos sábios e inquiridores do seu tempo, porque confiavam na sua própria razão. Paulo tomou essa decisão não porque temesse alguma represália por parte das autoridades ou sociedade da sua época, mas, porque tinha consciência de que grande e sublime era a sua missão.

Comentando este versículo, Charles Hodge afirma que "... a fraqueza de que [Paulo] fala não era fraqueza física... aqui todo o contexto demonstra que [ele] se refere a seu estado de ânimo. Não foi consciente de fortaleza, confiado em si mesmo e seguro de si, que compareceu entre eles, senão como oprimido pelo sentido de sua própria debilidade e insuficiência. Tinha uma obra a fazer e se dava conta de que [esta] estava muito além de suas forças".

De forma que, a sua palavra (logos) e a sua pregação kêrigma não consistiram em persuasão humana ou seja, no uso das técnicas e argumentações usadas pelos sábios com o objetivo de convencer os homens. Calvino afirmou que "... ao dizer 'palavras persuasivas de sabedoria humana', Paulo quer significar oratória seleta que mais se empenha e se impregna de artifícios do que preocupar-se com a verdade; e ao mesmo tempo ele aponta para a aparência de acuidade, o que encanta as mentes dos homens". Paulo estava bem consciente que este não era o método de Deus para chamar os pecadores ao arrependimento e fé. Ele estava certo ao atribuir a "persuasão" à sabedoria humana. Pois, a Palavra do Senhor nos ordena de forma extremamente veemente, a prestar-lhe obediência. Contudo, a sabedoria humana possui os seus encantos com o quais se insinua aos corações dos homens, exibindo seus ornamentos pomposos, por assim dizer, por meio dos quais atrai para si mesma as mentes de seus ouvintes.

De modo que, a sua pregação consistiu em "demonstração do Espírito e de poder" (v.4). Reconhecendo a sua insuficiência e total dependência de Deus para o sucesso de seu ministério, ele depositou toda a sua confiança na ação poderosa do Espírito Santo para a conversão dos pecadores. Essa "demonstração do Espírito" não se limitava apenas a milagres que confirmam o poder de tal mensagem como muitos estudiosos compreendem, porém, num sentido mais amplo, era como a mão de Deus se estendendo para agir poderosamente através dos apóstolos.

Concluímos afirmando que:
O estado de espírito em que há de se pregar o Evangelho é o oposto à confiança em si mesmo ou a indiferença;

O Evangelho deve ser pregado com consciência de fraqueza e com grande fervor e aplicação;

O êxito do Evangelho não depende da habilidade do pregador, senão da demonstração poderosa do Espírito; 

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