O que é ÓLEO?

Unção de Davi, Jan Victors
O óleo, dádiva de Deus.
Como o trigo e o vinho, o óleo é um dos alimentos essenciais com que Deus sacia o seu povo fiel (Dt 11.14) na terra rica em oliveiras (Dt 6.11; 8.8), em que ele o estabeleceu gratuitamente. O óleo aparece como uma bênção divina (Dt 7,13s; Jr 31,12) cuja privação é castigo da infidelidade (Ml 6.15; Hc 3.17), cuja abundância é sinal de salvação (Jl 2.19) e símbolo da felicidade escatológica (Os 2.24).

De resto, o óleo não é apenas alimento indispensável, mesmo em épocas de penúria (IRs 17.14s; II Rs 4.1-7); ele é um unguento que perfuma o corpo (Am 6.6; Et 2.12), fortifica os membros (Ez 16.9) e suaviza as chagas (Is 1.6; Lc 10.34); enfim, o óleo das lâmpadas é fonte de luz (Ex 27.20s; Mt 25.3-8).

Deste óleo não é lícito servir-se para prestar culto aos Baals, como se a fecundidade da terra viesse deles, nem para obter aliança com os impérios pagãos, como se a salvação do povo de Deus não dependesse unicamente de sua fidelidade à Aliança (Os 2.7.10; 12.2). Assim, para ser fiel à Aliança, não basta reservar para os sacerdotes o melhor óleo (Nm 18.12), nem misturar óleo às oblações de acordo com o ritual (Lv 2.1; Nm 15.4; 28-29), nem mesmo verter em torrentes as libações de óleo: tais observâncias só agradam a Deus se com Ele se anda no caminho da justiça e do amor (Ml 6.7s).

Simbolismo do óleo.
Se o óleo é o sinal da bênção divina, a oliveira verdejante é um símbolo do justo abençoado por Deus (Sl 52.10; 128.3) e da Sabedoria divina que revela na Lei o caminho da justiça e da felicidade (Sl 24.14.19-23). Quanto às duas oliveiras, cujo óleo alimenta o candelabro de sete lâmpadas (Zc 4.11-14), representam os dois filhos do óleo, os dois Ungidos de Deus, o rei e o sumo sacerdote, que têm a missão de esclarecer o povo e conduzi-lo no caminho da salvação.

Embora acessoriamente se compare o óleo com o que é, como ele, insinuante e inapreensível (Pv 5.3; Sl 109.18; Pv 27.16), nele se vê sobretudo o unguento cujo perfume encanta e alegra, belo símbolo do amor (Ct 1.3), da amizade (Pv 27.9) e da felicidade da união fraterna (Sl 133.2). O óleo é também símbolo de alegria, pois tanto ela como ele fazem resplender o semblante (Sl 104.15). Assim, pois, derramar óleo sobre a cabeça de alguém é desejar-lhe alegria e felicidade e dar-lhe prova de amizade e honra (Sl 23.5; 92.11; Lc 7.46; Mt 26.7).

O óleo da unção real merece, em grau máximo, a designação de óleo de alegria (Sl 45.8); sinal exterior da eleição divina, ele vem acompanhado da irrupção do Espírito a tomar posse do eleito (IS 10.1-16; 16.13). Deste nexo entre a unção e o Espírito origina-se o simbolismo básico do óleo nos sacramentos cristãos, notadamente na unção dos enfermos, mencionada já pela epístola de Tiago (Tg 5.14); o óleo comunica ao cristão a graça multiforme do Espírito Santo, daquele Espírito que fez de Jesus o Ungido por excelência e o Filho de Deus.

Fonte: Vocabulário de Teologia Bíblica - Vozes - 1984


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