Não a toda forma de suborno

Tentação de Cristo, Rubens
Tudo isso lhe darei se, prostrado, me adorar. O Diabo a Jesus (Mateus 4.9)

Texto do rev. Jonas Rezende

Há um momento culminante, na tentação de Jesus relatada no Evangelho, em que o mundo lhe é oferecido, desde que ele abandone o Bem e a vida centralizada em Deus. Mas o Cristo rejeita a insinuação, de forma enérgica e radical: “Retire-se, Satanás, porque está escrito — Ao Senhor seu Deus você adorará, e só a ele dará culto.”

Você bem sabe que todos nós temos também as nossas tentações. O convite malicioso para que mudemos de itinerário; deixemos de agir eticamente; desfiguremo-nos; vendamos, como Esaú, o direito de primogênito por um prato de lentilhas... O deserto da tentação pode ser fértil, como nos lembra D. Hélder Câmara, desde que sejamos alimentados por essa ânsia insubornável de ser —, se não nos trairmos diante dos diferentes acenos sedutores. É preciso então atravessar o deserto sem concessões imorais, acomodações deformadoras. Jesus conseguiu. Muitos conseguem. Por que não podemos também?

Num dos mais escuros momentos da História humana, na Alemanha nazista, um pastor escreveu: “Os cristãos alemães terão de enfrentar a terrível alternativa de ajudar a derrota de sua nação, a fim de que possa sobreviver a civilização cristã, ou ajudar a vitória desta mesma nação e, consequentemente, a destruição de nossa civilização. No que me toca, já sei qual dos dois termos escolher.” E o pastor Dietrich Bonhoeffer escolhe a deslealdade a seu próprio país; participa de um complô para destruir Adolf Hitler, o que lhe vale a forca, para ser fiel a valores maiores de toda a humanidade.

Creio que podemos perder nossa identidade num imoral jogo de cintura. Os desleais, os malditos muitas vezes estão certos. O apóstolo Pedro e seus companheiros mostram que entendem esta verdade quando afirmam: “Importa, antes, obedecer a Deus que aos homens.” E Jesus Cristo é categórico:
Ai de você quando todos disserem bem a seu respeito. 

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