Lucas e os judeus II

Cristãos perseguidos pelo Talibã no Afeganistão
Fiz este longo trajeto para chegar ao ponto crucial das manchetes dos jornais e das redes sociais. Um assunto que ocorreu muito recentemente e que tem transtornado o meio evangélico e: o irônico pronunciamento em que o ex-presidente Lula ridiculariza os pastores evangélicos nas suas pregações e na prática do dízimo, e a pronta resposta que lhe deu o rev. Silas Malafaia.

O que tem, afinal, a longa introdução de Lucas a ver especificamente com esse assunto? As razões e motivações que levaram Lucas a fazer as citações referidas na postagem de ontem, as razões e motivações que estão levando o povo brasileiro a tomar partido entre os pronunciamentos desses dois senhores, e o verdadeiro papel da igreja nessa discussão. Sem querer ironizar ainda mais a questão, gostaria de parafrasear o escritor americano Stephen King, me referindo objetivamente aos dois senhores: Vocês estão certos! Mas pelos motivos errados! E isso faz com que vocês estejam totalmente errados!

Primeiramente eu gostaria de falar do Lula, quando ele colocou todos os pastores evangélicos debaixo do mesmo domo de suspeita de prática do curandeirismo e de exploração da fé inocente. Colocando a mim e uma boa quantidade de pastores que conheço e de outros que temos notícia fora deste contexto, quero dizer: Lula tem razão, mas não é muita, e pouca que tem não vale nada. Não é pelo fato de algumas pessoas estarem usando indevidamente o nome de Jesus para se locupletarem, o que estamos mais do que cientes que vem acontecendo de fato, que a classe política brasileira pode tomar como parâmetro da sua corrupção a igreja cristã como um todo.

Não pode ser total o desconhecimento que o ex-presidente tem da ação da igreja na luta contra a ditadura militar no Brasil, quando faculdades de teologia foram fechadas, e muitos pastores e líderes da igreja foram torturados e mortos, tão somente porque não se conformavam com a repressão. O nosso problema é a igreja de hoje, quando não somente se acomoda diante do desgoverno, como tem se aproveitado do caos para pregar um evangelho de falsa santidade e prosperidade.

E o Malafaia? Bom, este é um capítulo à parte. Só posso ver com desconfiança a interesseira posição deste pastor a favor de um partido que arrasou a economia brasileira em detrimento de outro que está acabando de arrasar. As palavras do Lula caíram-lhe como uma luva, não somente pelo tom da sua sistemática pregação, como pelas associações que tem com pastores estrangeiros que estão sendo processados em seus países pelas mesmas práticas citadas pelo ex-presidente.

Quando a igreja se associa ao estado, perdem ambos, mas perde mais a igreja, pois perde, antes de tudo, a voz profética com que deve confrontar o governo. O Senhor da igreja não é partido A ou B, o Senhor da igreja não é a situação caótica em que anda a nossa economia, nossa a saúde e nossa segurança. O Senhor da igreja não são as circunstâncias. O Senhor da igreja é aquele que disse no passado e continua afirmando hoje: no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, ...eu venci o mundo.

A igreja tem que olhar todo esse mal como derrotado, todos esses assuntos como consumados, e aproveitar o caos e a perseguição para se expandir em todas as direções. Tanto os judeus, quanto os romanos estavam pensando que iam destruir o Cristianismo perseguindo e matando cristão em toda parte. Eles mal sabiam o bem que estavam nos fazendo, nos obrigando, pela força das suas armas, a cumprirmos a nossa verdadeira missão, que é levar o evangelho até os confins da terra.  

O grande mal da igreja é estar sempre presente nos assuntos que não lhe dizem respeito, como sucessão política, por exemplo, e estar ausente naquilo que diretamente lhe diz respeito, que e a implantação de um Reino de justiça, de amor e de verdade. Como diz um provérbio chinês: os ausentes estão sempre errados.

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