É vã a vossa fé

Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé. I Co 15.14
Ressurreição de Cristo, Patrick Devonas
Os antigos cultos de celebração da Páscoa nas igrejas tradicionais eram abertos com o hino 41 do Hinário Evangélico, do qual a primeira estrofe era cantada a plenos pulmões “Cristo já ressuscitou; aleluia”. Não sei onde foi parar essa importante tradição, mas sei que na Páscoa de hoje se enfatiza uma série de coisas, menos a ressurreição de Cristo.

A importância da ressurreição para a fé cristã foi algo tão fundamental para a igreja primitiva, que a sua simples menção ou lembrança fazia com que a igreja criasse coragem para desafiar os poderes constituídos, arriscando a preciosa vida dos seus parcos membros, sem se preocupar com o amanhã e nem com a sua própria sobrevivência, ou seja: para eles, a ressurreição de Cristo era mais importante do que a perpetuação da fé, porque sem esta referência tudo mais se esvaziava de sentido, inclusive a própria fé.

A questão da fé na ressurreição, desde que Tomé a colocou sob suspeição, foi um problema a ser resolvido na igreja, pois não é algo que se pode transmitir por palavras ou mesmo por testemunhos pessoais, mas algo que precisa ser experimentado. Uma experiência pessoal que se mostra urgente, importante e intransferível. Não é finalidade desta meditação indicar caminhos, elaborar métodos ou traçar diretrizes, mas apenas e tão somente tentar trazer de volta a alegria que era flagrante nos antigos cultos dos domingos de Páscoa.

No entanto, o apóstolo Paulo na primeira carta que escreve aos coríntios tem ambições bem mais elevadas do que as minhas. Quando ele disse que se Cristo não ressuscitou a sua pregação era vã, colocou em cheque todo o seu ministério, todas as suas provações, todos os seus sermões, viagens, acoites, naufrágios e cartas. Se Cristo não ressuscitou ele tinha mais era que jogar fora todo o seu passado desde a estrada de Damasco até a sua contenda com os membros daquela igreja.

Mas não foi só isso. Embutido nessa catarse, Paulo teve a sensibilidade e a inspiração divina de colocar um gatilho visando enquadrar principalmente àqueles que estavam fazendo o possível e o impossível para desacreditá-lo diante daquela congregação: os espirituais de Corinto.  Aqueles para quem a unção ou o dom espiritual pontual era o que de mais importante havia dentro da fé, e que sem os quais, todo cristão não passava de um reles ocupante de banco de igreja. Paulo não disse é vã a minha fé, incluindo mais um agravante a sua sequência de desapontamentos. Paulo não disse é vã a nossa fé, colocando o seu ministério em pé de igualdade com aqueles que tentavam projetar os seus dons acima dos demais. Paulo disse: é vã a vossa féEle não tinha dúvidas quanto à sua própria fé, mas sim quanto a fé daquelas pessoas.

Se Cristo não ressuscitou, para que vocês querem dons? Se Cristo não ressuscitou, qual é o propósito dos seus louvores espirituais? Se Cristo não ressuscitou, de que adiantam as suas curtas mensagens de exortação entre os louvores? Se Cristo não ressuscitou, para que servem os intermináveis mantras e repetições contínuas de estrofes? Se Cristo não ressuscitou, que valia tem os atos proféticos, os ministérios de dança as caras e bocas? Se Cristo não ressuscitou, o que você está fazendo na frente da congregação com o microfone?

Mas Paulo não para aí. Ele cava bem mais fundo quando logo em seguida diz: Se Cristo não ressuscitou, ainda permaneceis nos vossos pecados. Se Cristo não ressuscitou, tire esse sorriso do rosto porque você ainda está perdido e sem qualquer esperança de salvação. Se Cristo não ressuscitou, fique em casa, porque a igreja é o último lugar onde você deveria estar nesta Páscoa.

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