Contar as horas claras

Mas o caminho dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Salomão (Provérbios 4.18)        
Reflexos do sol, autor não identificado
Texto do rev. Jonas Rezende
O ser humano foi criado para a luz. Para uma vida coerente, transparente e reta. Salomão, no texto acima, associa a vida do homem ligado à fonte da Vida com aquela que, à semelhança da luz da aurora, brilha mais e mais até ser dia perfeito.

Nem sempre, no entanto, como você tão bem o sabe, é assim. Jesus Cristo constata, com profunda tristeza, que, frequentemente, os homens amam mais as trevas do que a luz. E a Bíblia como um todo tem a força de um apelo: “Andem na luz.”

Maurice Maeterlinck, que era para o nosso Monteiro Lobato “o poeta-filósofo do indizível”, nos fala em seu livro A Sabedoria das Flores sobre as frases escritas nos relógios de sol, tão comuns na velha Europa. Uma delas se relaciona, para mim, com o presente texto de Salomão. Note bem: o relógio, que apenas marca as horas em que o sol o ilumina, traz a seguinte inscrição: “Eu só conto as horas claras.”

Sempre que o pessimismo me atrai para a penumbra de um mundo cinzento, esta frase me alerta: “Eu só conto as horas claras.” Não há qualquer dúvida: é preciso viver e andar na luz. Temos de espanar os pensamentos negativos, a atmosfera de velório que, por vezes, nos cerca. O Salmista corrige a nossa impaciência quando afirma: “O choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria vem pela manhã.” Com o sol, com a luz.

Nehemias Gueiros, que, além de jurista, também nos deixou belos e sensíveis poemas, medita sobre esta frase do velho relógio e escreve como se o relógio de sol nos interpelasse:

Por que contas as escuras,
sempre tão curtas e raras?
Eu só vejo as horas puras,
'eu só conto as horas claras’.

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