O que é COBIÇA? II

Aderência hediondas da cobiça

Segundo Testamento
O Segundo Testamento aprofunda a mensagem do Primeiro em três pontos principais. Revelando as dimensões da agape da qual a cobiça é a antítese, e desmascarando a idolatria que nesta se esconde, penetra no âmago de sua malícia. Revelando a vida futura que desvaloriza os bens terrestres, põe ele a descoberto toda a loucura do cobiçoso.

Manifestações e consequências
Os Evangelhos empregam a palavra pleonexia só em Mc 7.22, em meio a uma lista de pecados que Jesus revela provirem do íntimo do homem, e em Lc 12.15: Guardai-vos com cuidado de toda cobiça. Esse meio versículo, resumo dum ensinamento caro a Lucas, faz a transição entre a recusa do Mestre em arbitrar uma querela relativa a uma herança e a parábola que descreve a despreocupação do rico que se compraz nos seus estoques como se tivesse garantido o amanhã. Assim, segundo Lucas, a cobiça consiste ao mesmo tempo em querer aumentar sempre mais os haveres, mesmo que às custas de outros, e em apegar- se pela avareza aos bens já possuídos.

Paulo a menciona mais vezes e a relaciona com as desordens sexuais, onde pleonektein, explorar, a propósito da impureza. Relacionamento significativo: seja que se trate de lucro material ou de prazer dos sentidos, o indivíduo serve-se do próximo em vez de servir ao próximo. Num, como no outro caso, trata- se duma concupiscência culpável, que sufoca a Palavra de Deus e põe o pecador do lado do paganismo, do mundo, do mal, da carne, do homem velho, do corpo perecível. O cobiçoso sacrifica os outros a si próprio, se necessário até pela violência: Cobiçais e não possuis? Então matais (Tg 4.2). Ao contrário de Cristo que, em seu amor por nós, não considerou o estado de igualdade com Deus como uma presa a arrebatar, ele arrebata e guarda ciumentamente aquilo que excita o seu desejo. Ao contrário de Jesus que, de rico se fez pobre a fim de nos enriquecer por sua pobreza, ele despoja os pobres em seu próprio proveito.

Coisa indigna de qualquer cristão, a cupidez seria particularmente escandalosa no apóstolo, obrigado por vocação a fazer-se escravo de todos. Paulo, de sua parte, afirma que não teve a menor segunda- intenção de cobiça; longe de cobiçar os bens dos fiéis, trabalhou com suas mãos para não viver às custas deles conforme teria direito e para assim colocar acima de toda suspeita o seu desinteresse. Essa conduta deve ser exemplo para os ministros inferiores. Que nem o epíscopo nem os diáconos sejam amigos do dinheiro e dos lucros vergonhosos.

A ganância, pelo contrário, caracteriza os falsos doutores, que, sob a aparência de piedade, procuram o lucro sem contentar-se com o que têm. Em II Pe 2.3 e 14 chama-se de cobiça o seu tráfico de palavras mentirosas, não isento de objetivos imorais. O ideal dos verdadeiros servidores do Evangelho será sempre o de serem tidos por pessoas que nada têm, eles que possuem tudo.

Essência religiosa
Se Paulo atribui uma gravidade especial à cobiça, é que ele compreendeu claramente aquilo que o Primeiro Testamento apenas pressentia: a cobiça é uma idolatria. Paulo prossegue assim a linha de Jesus para quem ser amigo do dinheiro é prender a bens criados um coração pertencente só a Deus, tomar esses bens por senhores desprezando o único verdadeiro Senhor que é Deus.


O provérbio: A raiz de todos os males é o amor do dinheiro (l Tm 6.10) adquire então uma profundeza trágica: escolhendo para si um falso deus, a pessoa se desvincula do único Deus verdadeiro e se destina à perdição, como Judas, o traidor cúpido, o filho da perdição. Por outro lado, os bens perecíveis perderam agora seu valor na perspectiva da vida futura, outrora ignorada pelos sábios. Por isso o Segundo Testamento pode mostrar, bem melhor que estes, a que ponto é insensato o comportamento cobiçoso: Mammon é iníquo, e de acordo com o provável substrato aramaico, falso e enganador. É loucura basear-se em bens perecíveis, pois a morte, passagem para a vida eterna que a riqueza faz esquecer, provocará uma reviravolta das situações.

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