Um escândalo chamado Jesus

Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel. E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia.Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição. Lucas 2.28-34
Simeão e Jesus, Simon Vouet
      
Texto do rev. Jonas Rezende.
Depois de tomar o menino Jesus nos braços e improvisar um dos mais belos cânticos do Evangelho: Agora, Senhor, despeça em paz o seu servo, porque os meus olhos já viram a sua salvação, Simeão faz um vaticínio sobre Cristo, e termina por afirmar que ele será “sinal de contradição”.

Não tenho dúvida de que Jesus cumpre esta profecia em sua vida de forma cabal. Com exceção dos pequeninos, com os quais ele se preocupa, o Mestre diz a certa altura de sua missão: Todos vocês se escandalizarão em mim. Foi, justamente, o que aconteceu. Seus parentes o julgam louco; Maria e José interferem em suas tarefas; os fariseus o veem como endemoniado; para Caifás, ele é blasfemo; Pedro e os demais apóstolos não o entendem; Judas o trai com um beijo; e o povo pede a Pilatos: Crucifica-o, crucifica-o. Como vemos, Jesus Cristo é mesmo um “sinal de contradição”, um verdadeiro escândalo.

Primeiro, porque é um Santo muito estranho que faz vinho, come com pecadores, conversa com prostitutas, não foge das praças, das ruas, do homem, da Vida. Jesus sabe que a distância entre o santo e o pecador é muito relativa. Se é que existe distância. Ou pecador. Ou santo.

É “sinal de contradição” ainda porque transmite e vive uma religião nada formal. Pele contrário, é um crítico dos religiosos da época, dos “escribas e fariseus hipócritas”. Paul Tillich chega a dizer que o primeiro grande fardo que Cristo veio retirar dos ombros do homem foi a religião. Jesus é alegre, puro, conduz-se de maneira comum, e sabe que o único sacramento de Deus é a própria Vida.

O Mestre escandaliza, finalmente, porque tem uma ética diferente. Não é moralista, mas assume posição de respeito com todos os homens. Encarna a justiça do amor, ao contrário dos legalistas de todas as épocas. Ninguém mais do que ele está certo daquilo que Ernesto Cardenal roloca em forma de livro, a partir do título: Vida no Amor. Para Cristo, na verdade, apenas no amor existe vida. E, neste mundo de competição e violência, existe escândalo maior do que o amor?

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