A paz que não é a dos cemitérios

Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro.
Esperança, www.hopedmonton.ca

Texto do rev. Jonas Rezende.
Veja só como é belo o testamento de Jesus, antes de ser crucificado. Ao Pai destinou o seu espírito, o corpo a José de Arimatéia, Maria foi entregue aos cuidados de João, o apóstolo do amor, enquanto as vestes ficaram com os soldados, que sobre elas lançaram sorte. E aos seus discípulos, que abandonaram tudo que tinham para segui-Lo? A eles Jesus legou a Sua paz: Deixo para vocês o que de mais precioso tenho, a minha paz.

Este salmo, que parece um desdobramento do anterior, é conhecido como o poema da paz divina. Davi vivia um momento de grande tribulação quando escreveu esta página. Chegou a encher-se de ira por não poder consertar, nem como homem nem na posição de rei, tudo o que lhe parecia desarranjado. Suas defesas então fraquejaram. E aquele que era um menino quando derrotou o gigante ameaçador viu-se extremamente frágil. Sobretudo, sem uma nesga de paz.

Você já reparou que, em situações semelhantes, ficamos mais sensíveis e até desprotegidos contra os que vivem a envenenar a vida? Na experiência do rei Davi, sinto que ele quase se deixou vencer pela crítica de seus inimigos, que chegava em forma de uma pergunta insolente: quem nos dará a conhecer o bem? Era certamente uma provocação que ameaçava se instalar em sua alma.

Mas o rei não sucumbiu diante dessa dúvida. Alguém afirmou, com sabedoria e simplicidade, que não podemos impedir que um passarinho pouse sobre nossa cabeça, mas está em nossa vontade não deixar que ele faça ali um ninho...

Davi se encontrava como que vacinado. Seria imperdoável para ele ignorar que Deus é a fonte de todo o bem, aquele que produz a paz enraizada no amor: shalom. Seu poema torna-se então uma resposta aos provocadores insolente e, acima de tudo, é uma fervente súplica: Senhor, levanta sobre nós a luz do teu rosto; mais alegria me puseste no coração do que a euforia dos meus inimigos que vivem com fartura de cereal e de vinho.

E o rei volta aos negócios de sua nação, à sua harpa e aos seus salmos.

Há muitos anos, em um concurso de pintura para representar a paz, um artista concebeu um lago de águas imóveis. Outro, no entanto, imaginou um pássaro no ninho, logo no galho precário que dava para uma revoltosa queda d’água. O último artista venceu. Sua concepção se aproximava, como você pode perceber, da experiência de paz vivida pelo salmista. A paz no tumulto da existência, a paz de quem não cruza os braços, mas põe a mão na massa. Não é a paz dos mortos e dos cemitérios.

Mas, a turbulência na vida de Davi enfim passou sem deixar marcas. A onda do mar em tormentas foi vencida. Como, de resto, sempre acontece, rimos no dia seguinte dos problemas que na véspera nos afligiram. E o rei agradeceu ao seu Deus mais uma vitória do amor divino: Em paz me deito e logo pego no sono porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro.

Esta herança é sua também.
Faz parte de divino testamento.


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