Matamos o idealista, jamais o ideal

Porque a Palavra do Senhor é reta e todo o seu proceder é fiel...  a terra está cheia da bondade do Senhor
Salomé com a cabeça de João Batista, Caravaggio
Leia Salmos 3333.1 Exultai, ó justos, no SENHOR! Aos retos fica bem louvá-lo.
33.2 Celebrai o SENHOR com harpa, louvai-o com cânticos no saltério de dez cordas.
33.3 Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo.
33.4 Porque a palavra do SENHOR é reta, e todo o seu proceder é fiel.
33.5 Ele ama a justiça e o direito; a terra está cheia da bondade do SENHOR.
33.6 Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles.
33.7 Ele ajunta em montão as águas do mar; e em reservatório encerra as grandes vagas.
33.8 Tema ao SENHOR toda a terra, temam-no todos os habitantes do mundo.
33.9 Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.
33.10 O SENHOR frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos.
33.11 O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações.
33.12 Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança.
33.13 O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens;
33.14 do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra,
33.15 ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.
33.16 Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos; nem por sua muita força se livra o valente.
33.17 O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar.
33.18 Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia,
33.19 para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida.
33.20 Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo.
33.21 Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome.
33.22 Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como de ti esperamos.
Texto do rev. Jonas Rezende
A verdade se impõe, ainda que a longo prazo. A luta contra a verdade é inútil e perdida. Guerra Junqueiro expõe o que eu escrevo com a força agressiva de sua poesia: É o mesmo que apagar o sol quando flameja com o apagador de lata de uma igreja...

Neste salmo somos confrontados com a categórica afirmação de que a palavra de Deus é reta, e que a terra está cheia da sua bondade. O salmista ainda afirma que os céus por sua palavra se fizeram. Assim, lança o poeta a sua exortação: tema ao Senhor toda a terra, temam-no todos os habitantes do mundo.

Fica explícito que a palavra de Deus, como o apóstolo Paulo escreve em sua segunda carta a Timóteo, não pode ser aprisionada. Porque é o poder de Deus. Pela sua palavra tudo foi criado. Disse Deus: haja luz. E houve luz. A História registra o trabalho insensato de colocar cadeias na palavra divina. Foi por isso que prenderam Paulo em Roma, Savonarola em Florença, Bunyan em Bedford, Bonhoeffer em Flossemburg, sem conseguir interromper o itinerário da palavra de Deus.

Muitos apregoadores foram mortos, mas a palavra prosseguiu. Podemos matar os idealistas, nunca os ideais. Como prender o próprio Deus? A palavra não se separa do Deus que a coloca no coração e nos lábios dos profetas e dos apóstolos. Se focalizarmos a vida de Jesus, perceberemos que, nele, mais do que em qualquer outro, a palavra, o logos se faz carne para viver entre os homens. E a palavra transita na mensagem da Igreja e nos fatos que tecem a História, como presença viva que independe da nossa vontade.

John Mackay afirma que a medula da religião cristã é o encontro do homem com Deus: a experiência suprema da vida é a do assalto divino à nossa existência. Roger Mehl complementa dizendo que a presença divina é uma provocação, uma exigência; na presença da palavra de Deus eu sou desarmado: ele me acusa, ele me justifica, ele me perdoa.

Como aprisionar a ação do Senhor na vida humana? Como bloquear sua palavra na experiência das instituições que criamos e na História, da qual ele é o Senhor? Calvino, no século XVI, não tinha dúvidas: a palavra de Deus rompe as cadeias e se espalha poderosamente.

O salmista escreve no fim do seu belo poema: feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para a sua herança... os olhos de Deus estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte... Nossa alma espera no Senhor... nele o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, Senhor, a tua misericórdia, como de ti esperamos.

A bênção de Arão pode ser orada assim:
O Senhor me abençoe e me guarde. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre mim, e tenha misericórdia de mim. O Senhor sobre mim levante o seu rosto. E me dê a paz.

Por que não repetir essa bonita prece?


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