Felicidade é mais do que desejo

Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem.Salmo 128
O baile, Renoir em 1876
Texto do rev. Jonas Rezende,
É muito difícil conceituar felicidade, mas todos os seres humanos, sem danos mentais sérios, desejam e buscam a felicidade. Os estoicos entendiam que era preciso assumir uma atitude de heroica resignação diante da vida e, em particular, do sofrimento, se o ser humano quisesse ser feliz. Já os epicuristas, sem falsos pudores, concebiam a felicidade como uma vida prazerosa. Os budistas entendem a bem-aventurança suprema como a extinção de todos os desejos, enquanto a maior parte da população ocidental busca a realização desses mesmos desejos. Há religiosos que só concebem a felicidade após a morte. Outros, contudo, entendem que a nossa luta por felicidade é um desafio legítimo em nossa vida terrena.

A frustração por desejar e não atingir a felicidade fica na amargura, que se manifesta das maneiras mais variadas.

O filósofo Vigil escreveu: o ano tem 365 angústias; o dia, 24 desencantos; e a hora 60 aflições...

Você já prestou atenção às letras que o povo canta durante o Carnaval? Para ficar apenas nos carnavais passados, havia coisas muito tristes, em meio a confetes, serpentinas, lança perfumes, máscaras e sensualidade. Veja só: eu encontrei Maria, com pesar chorei ao ver tanta agonia... Ó, jardineira porque estás tão triste?... Confete, pedacinho colorido de saudade... Um pierrô apaixonado, que vivia só cantando, por causa de uma colombina acabou chorando... Ô, ô, ô, ô, lancha nova no cais apitou, e a danada da saudade em meu peito já ficou... partindo, eu morro de pena, ficando, eu morro de amor. E tem muito mais. A verdade é que, muitas letras de Chico Buarque tem um quê de melancolia e até de desespero: morreu na contramão atrapalhando o tráfego... Foi, talvez, por tantas frustrações que o poeta Vicente de Carvalho termina o seu famoso soneto dizendo:
A felicidade que sonhamos,
Árvore maravilhosa que supomos,
Toda arreada de dourados pomos,
existe sim, mas não a alcançamos,
porque está sempre apenas onde pomos
e nunca a pomos onde nós estamos

Mas o salmista, em seu curto poema, mostra que é possível a felicidade começar da vida em família, que se torna, de verdade, uma celula mater e não uma célula morta. Diz ele: Sua esposa, no interior da casa, será como uma videira frutífera; seus filhos como rebento da oliveira, à roda da sua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor!

Você quer a felicidade? Acredite nela. E lute para conquistá-la. Valorize o amor. Goste do seu corpo. Não se esqueça de sua família. Não fuja da alegria. Nada de sacrifícios inúteis. Acima de tudo, tenha uma vida de comunhão com Deus.

Roland Barthes nos diz: há uma idade em que se ensina o que não se sabe. Vem agora a idade de uma outra experiência, a de desaprender. A experiência se resume em sapientia:

Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria 
e um máximo de prazer possível.



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