Conversão ou diversão?

Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam. Salmo 115.4 e 8
Filhos de Noé, Hartmann Schedel (1440-1514)
A coisa está séria! Por causa disso, tento criar um neologismo quando cito a palavra diversão, pois o faço colocando o seu prefixo “di” em negação ao prefixo “con” de conversão, da mesma maneira em que é empregado em convergir e divergir, ou em consenso e dissenso, porque vejo com temor e tremor que o que a maioria das Igrejas está pregando hoje é a diversão e não a conversão. Além de uma enorme quantidade de sinais que deveriam acompanhar a conversão, sinais que hoje em dia já não são mais visto ou exigidos, tais como mudança de mente, desapego aos bens materiais, paixão pelas almas, confiança plena em que o futuro está nas mãos de Deus, e que ele sim, e não o inimigo está no controle, o neopentecostalismo tem feito a Igreja retroagir aos mais antigos conceitos medievais do Cristianismo. Voltamos de vez ao período obscuro da História que inspiradamente foi chamado de Idade das Trevas.

Sei que não sou a melhor pessoa para tratar desse assunto, porque carrego comigo a herança de um pai que foi um incansável opositor aos modismos pentecostais do seu tempo. O meu radicalismo declarado fez com esta semana mesmo eu desfizesse, no Facebook, a amizade com uma pastora que se formou no mesmo seminário que me formei, simplesmente porque ela ousou tocar o shofar dentro de uma Igreja que eu já frequentei. Ela pode tocar muito bem shofar onde quiser, mas não o fará no meu Facebook.

Cheguei a esta indignação, porque me chamou a atenção uma matéria, publicada como nota de repúdio, na revista Ultimato de abril último, cujo título é “Negros e africanos amaldiçoados?” http://www.ultimato.com.br/conteudo/negros-africanos-amaldicoados. Antes de tentar responder, o que me recuso a fazer, eu gostaria de saber qual é o ramo denominacional que está efetivamente levantando a questão. Ou seja, quem mais está tocando shofar dentro da Igreja? Quem mais está contribuindo para que o Cristianismo mergulhe novamente nas trevas? Que tipo de pessoa ainda faz questão do “olho por olho” depois de conhecer a graça de Deus?

Há mais ou menos um ano, abordamos o tema da maldição hereditária aqui nesse blog. Naquela altura eu já me imaginava anacrônico, visto que, esta maldita doutrina já havia sido sábia e exaustivamente desacreditada pelas pessoas que levam o Cristianismo a sério e que a duras penas tentam pregar as verdadeiras novidades do evangelho. Inclusive, na ocasião, retirei da lista uma meditação sobre o tema, posto que ela estava descaradamente fundamentada no sermão Considerações sobre o Livro de Jó, do rev. Paulo Cesar Lima, a qual reinsiro no fim desta meditação a título de um resumo não autorizado do mesmo.

Gostaria, por fim, de deixar para reflexão as seguintes perguntas:
O que mais a arqueologia neopoentecostal pretende desencavar dos porões da Bíblia e da História da Igreja para achincalhar a fé cristã?
Que maiores motivos ainda daremos aos céticos e agnósticos para lançarem dúvidas sobre a seriedade da Igreja?
Até onde realçaremos os absurdos teológicos oriundos das mentes que não conheceram a graça de Deus, e que a Bíblia categoricamente nos ensina a não repetir?

Apesar de todo o meu esforço para dar um novo sentido à palavra diversão, sou forçado a me render ao sentido original do termo e dar total razão ao meu amigo Carlos Wesley, irmão do João a quem sempre me refiro, quando este, pasmo diante do neopentecostalismo que infectou a igreja, vive repetindo: Esses caras estão de brincadeira!


  
Considerações sobre o Livro de Jó (Job 1.9)
Resumo do sermão pregado pelo rev. Paulo Cesar Lima
Estamos diante de um dos mais inspirados, mais poéticos e mais instigantes livros de toda a Bíblia, consequentemente, um dos mais mal interpretados pelas pessoas. Quem de nós que em um momento de sofrimento, em um uma hora de tribulação não ouviu como consolo a seguinte frase: “Jó sofreu mais do que você”. Jó entra em nossa vida como o protótipo do sofredor. Não é somente aquele que mais sofreu. Mas aquele que sofreu calado, aquele que passou pelas maiores aflições, recebeu sobre si as piores mazelas que um ser humano pode suportar, e sem dizer sequer um ai, saiu ileso e sem traumas da sua medonha situação.
A pregação evangélica durante muito tempo martelou sobre o conceito que para nós, em nossas vidas como cristãos, devemos encarnar este modelo do homem sofredor, que sofre sem murmurar, que sofre e diz que não está sofrendo, que sofre e não blasfema, que sofre e pelo contrário, glorifica a Deus. Infelizmente, ainda hoje, existem muitos que analisam o livro de Jó por somente 3 ou 4 versículos e por eles e fundamentam seus Um versículo muito apreciado é aquele que diz: “Nu saí do ventre da minha mãe e nu para lá voltarei. O Senhor me deu, o Senhor me tirou. Bendito seja o nome do Senhor”. O crente diz isso em voz alta em meio a uma grande perda todo mundo diz amém e glória e aleluia e está encerrada qualquer outra questão sobre Jó, sua história e seu sofrimento.
O outro versículo admirado por muitos no livro de Jô é aquele que a sua esposa lhe sugere uma eutanásia teológica: “Amaldiçoa o teu deus e morre”. Os antigos pensavam que quem amaldiçoasse Deus morria fulminado no mesmo instante. Jó responde: “Como louca tu falas. Por que receberia eu de Deus o bem e não o mal?” Ou seja, o princípio antigo de que o bem e o mal vêm de uma mesma fonte, isto é, de Deus. Também é um resquício da interpretação errada do texto de I Samuel, que diz que um espírito mal da parte de Deus assolava Saul. Naquela época, eles não conheciam os motivos de várias doenças da mente. Se fosse hoje diríamos que Saul sofreu de alguma forma de depressão aguda. Esta exegese ultrapassada é a mesma que diz que o livro de Jó é um dos mais antigos da Bíblia. Mas este livro, depois de profundamente examinado pelos maiores teólogos, exegetas e hermeneutas de todo o mundo, revelou algumas realidades bastante contundentes:
1ª- O hebraico com que foi escrito o livro de Jó, não poderia ser da época de Moisés, com afirmam alguns. Trata-se de um hebraico bem mais recente, de um hebraico que já incorpora vogais, um trabalho executado pelos rabinos chamados massoretas a partir do século VI, e não somente consoantes como eram escritos os livros mais antigos.
2ª- Uma outra pista é que a linguagem é muitíssima apurada, não seria normal para um escritor da idade do bronze possuir tamanha erudição. O autor do livro de Jó, devido a sua grandeza como escritor é chamado de O Shakespeare da Bíblia.
3ª- Os fatos são narrados tendo como pano de fundo um tribunal, uma corte de julgamentos. Os termos são essencialmente jurídicos, coisas de advogado. O que no primeiro século nem sequer se sonhava.
4ª- O livro vem responder a uma pergunta que era comum às pessoas do sexto século, quando o povo se encontrava exilado e cativo na Babilônia. A pergunta era: Como é que nós, sendo povo de Deus, escolhido por Deus, chamados por Deus, estamos sofrendo? Por que sofremos? Por que Deus está permitindo que passemos por isso?
Então o livro de Jó é uma tentativa de responder esta pergunta milenar: Por que pessoas boas e inocentes servos de Deus sofrem? Então o livro de Jó a uma resposta a esta questão: Por que o justo sofre? Por causa disso, ele é um livro precioso para nós.
O livro de Jó se levanta contra alguns dogmas que se estabeleceram ao longo dos séculos. Dogmas tirados de conceitos de um deus que era muito mais humano que divino. Dogmas estes tirados de ideias preconcebidas que, por serem tão bem difundidos se tornaram inquestionáveis. Elas são o que são e ninguém mais pode pensar diferente. Não podem ser de forma alguma questionadas. Mas Jó vai questionar sim estes dogmas em sua época. Um deles é a ideia que associa qualquer tragédia ou qualquer infortúnio de nossa vida com um pecado. Uma pessoa que tem seu dinheiro roubado, que tem a casa assaltada, que bate com o carro ou que atravessa um momento difícil, é porque tem algum pecado. Esta era uma ideia reinante também no tempo de Jesus. Ele foi questionado acerca de um cego de nascença: “Foi ele quem pecou, ou foram seus pais?” “Nem ele nem seus pais, mas para a glória de Deus”. Para outros ele diz: “O que é mais fácil dizer: Toma o teu leito e anda ou perdoados são os teus pecados? Para que vocês saibam que eu tenho poder para perdoar pecados, toma o teu leito e anda”. É para discutir esses dogmas que o livro de Jó foi escrito. Para colocar no banco dos réus, para julgar, para condenar ou absolver. Se está certo, aceitamos, se está errado não aceitamos.
Um problema que encontramos ao ler o livro de Jó, e que o torna extremamente difícil para a leitura, é que tem o chamado contexto remoto. O que é isso? O contexto imediato é quando você lê algum versículo meio confuso e logo antes ou logo depois, tem um outro texto que a interpreta. Por exemplo: “Não há Deus”, a Bíblia fala isso 3 vezes no Salmo 10, 14 e 53, isso mesmo “não há Deus”, mas imediatamente completa: “Diz o insensato em seu coração”. Um versículo imediatamente dá sentido a um outro. Mas no livro de Jó, por ter um contexto remoto, a palavra está na boca dos “amigos” de Jó. E eles estão fazendo uma interpretação do sofrimento de Jó a sua maneira, de acordo com o que eles pensam. Não é uma interpretação extraída da inspiração de Deus para nós, e sim uma interpretação absolutamente humana acerca do sofrimento, e tem haver com o dogma do pecado oculto. É isso que temos que entender no livro de Jó:
1º- As pessoas imaginam que Jó é o protótipo do sofredor que sofre calado, mas ao contrário, em seu livro, ele é o único que grita, e grita bastante em relação ao seu sofrimento. Ele sofre, diz que está sofrendo. Não quer passar por aquele sofrimento. Questiona Deus pelo seu sofrimento. Blasfema do dia do seu nascimento. É algo bastante terrível de se assistir.
2º- Quando se tenta associar o livro de Jó a Jesus Cristo, dando lhe o aspecto soteriológico, isto é, associando-o a salvação em Cristo através do versículo “Eu sei que o meu redentor vive”. Isto foi uma tradução de São Jerônimo, no século III, tentando associar a redenção do sofrimento de Jó, somente mais tarde, quando da morte de Cristo. A palavra que aparece lá é Go’el, que neste caso significa defensor, vingador. Um termo jurídico para designar aquele que faria justiça e o vingaria diante daqueles que o estavam insultando. Jó não está esperando a vinda de Cristo para ver o seu sofrimento acabado. Não, ele está dizendo que aquele que o vai defender está vivo, que vai se levantar no meio do tribunal e ele vai sair em breve deste seu estado de sofrimento.
Voltando ao texto em questão, com esta nova visão, nós veremos que a pergunta de Satanás questiona os nossos valores religiosos e a nossa relação com Deus. O que ele pergunta é o seguinte: “Será que existe alguma pessoa na terra, será que existe alguém que por mais fiel que seja, será que existe alguém no nosso contexto religiosa que ame a Deus por nada?” A pergunta é essa: Será que existe alguém que ame a Deus de graça? A pergunta é pertinente, porque hoje a religião virou mercantilista. Hoje a religião virou capitalista. É o toma lá da cá. Eu quero tomar posse. É a religião que se vem à igreja para se fazer uma troca com Deus. Eu venho, faço o meu dever e Deus me abençoa por isso. A pergunta de Satanás é a seguinte: “Será que existe alguém que procure Deus sem interesses pessoais? Que procure a Deus pelo que ele é, e não pelo que ele faz? Será que existe alguém que entenda que nós devemos procurar a Deus pelo que ele é, pelo fato único de que ele é Deus, e mais nada?” E é pelo de que ele é que nós descansamos na sua soberania, no seu poder, na sua graça. Será que existe alguém que se sente no colo de Deus e tenha uma comunhão com ele só pelo que Deus é e pronto? Sem exigir, sem pedir, sem fazer qualquer tipo de transação? Será que existe alguém ainda no planeta Terra que não sirva a Deus com esta visão consumista? O consumo do divino. Por que hoje nós temos uma indústria de adoração, onde as pessoas adoram, adoram, adoram, e chegam ao estado de não ver mais sublimidade em Deus, e então começam a manipulá-lo, a encapsulá-lo. Será que ainda existe alguém que entenda a sabedoria de Deus que é maior do que tudo, e que só o fato de estarmos na sua presença, sem receber inteiramente nada, é o tudo que nós precisamos para a nossa vida? Será que existe alguém que entenda que a maior bênção que encontramos no Evangelho é o próprio Deus? Será que há alguém vem à igreja com este intuito, com esta vontade de servir a Deus por nada, ou não há ninguém? E o interessante é que a pergunta está na boca de Satanás. “Por ventura teme Jó a Deus debalde?” Teme por nada?
Hoje estamos vivendo a época da chamada gula de Deus. Pessoas estão absorvendo Deus como mais um item de consumo. Sem reconhecer nele a sua soberania, estão se utilizando apenas de alguns aspectos isolados das ações de Deus. Fazendo destas ações o parâmetro de toda a sua teologia, ou de todo os eu entendimento de Deus e da sua vontade. Estão consumindo Deus como um mingau quente, isto é, pelas beiradas. Sem ir fundo no conhecimento de Deus, que é justamente o que pode nos afastar desta mesmice, deste lugar comum, desta rotina, que faz com que frequentemos qualquer reunião, qualquer culto, qualquer forma de adoração, desde alguém diga que é em nome de Deus. Cultos estes, que mais servem para aplacar a consciências dos bodes, do que propriamente alimentar as ovelhas daquilo de que realmente elas necessitam. Será que existe alguém que ame a Deus por nada? Esta é a pergunta do livro de Jó, por isso ele é uma reavaliação do conceito de Deus. Uma reavaliação do nosso comportamento diante de Deus. Uma reavaliação da nossa visão religiosa. Uma reavaliação dos critérios entre nós e a nossa vida e Deus e a sua vontade.
Outro dogma combatido no livro de Jó é o da retribuição. O dogma que está fundamentado na seguinte ideia: Se você faz, você recebe. Se você não faz, você não recebe. Se você for justo, Deus lhe abençoa. Se você não for justo, Deus não lhe abençoa. Se você orar, Deus lhe abençoa, se você deixar de orar, Deus não abençoa. Este é o dogma da retribuição, muito forte, tanto que na época de Jó já existia. Alguns amigos de Jó chegam a ele dizendo assim: “Se tu fosses justo não estarias passando por esta provação”. Ou seja, se Jó fosse realmente homem de Deus, nada disso estaria acontecendo, se está acontecendo, é porque Jó não é. Logo, a maldição se associa com esta idéia de retribuição. Ideia que é incansavelmente combatida no livro de Jó.
A visão que muitos têm com relação ao esforço é que é necessário se esforçar para ser. Mas a idéia bíblica e neotestamentária de esforço é diametralmente oposta. Nós nos esforçamos justamente porque nós já somos. Ou seja, eu não oro para ser espiritual, eu oro porque já sou espiritual; eu não jejuo para ser abençoado, eu jejuo porque já sou abençoado; eu não me esforço para ter o amor de Deus, eu me esforço porque já tenho o amor de Deus, e este amor me constrange a fazer qualquer esforço.
Esta é a grande diferença. Por que, quanto mais amor, mais serviço. Esta ideia de esforço tem que passar por uma redefinição. Porque nós estamos nos esforçando para ser, quando deveríamos nos esforçar porque já somos. Eu não estou dizendo, como dizem alguns pregadores, que não se precisa mais orar, ser justo, jejuar e vir à igreja. Não, pelo contrário, eu estou dizendo que tudo isso se fará em razão da lei do amor que habita em nosso coração. E se fará pelo prazer e pela alegria de fazer, e não pela obrigação de fazer. É aí que vamos entender que o amor de Deus é incondicional. Deus não nos ama pelo que nós somos ou fazemos. Deus nos ama pelo que ele é. Ele é um Deus de amor.  E nada nesse mundo ou em qualquer mundo pode fazer com que ele mude de caráter. Ele é um Deus de amor. O reverendo David Livingstone era conhecido pelos nativos da África por ser do povo do Deus que ama. Tanto é que quando os ingleses foram resgatar o seu corpo para sepultá-lo na Inglaterra, os nativos disseram: O corpo você podem levar, mas o coração fica porque ninguém representou melhor o amor de Deus, ninguém amou mais a África do que este homem.
Mas existe ainda mais um outro dogma combatido no livro de Jó. É o dogma da causa e efeito. Existe uma lei física que diz que a toda ação corresponde uma reação e a grande maioria das pessoas transfere para a sua vida pessoal esta lei dizendo: Qualquer efeito é produzido por uma causa. Então se você tem algum problema na sua vida, é porque por trás disso existe uma causa. É aí que entram os chamados pecados ocultos, maldição hereditária e outros bichos mais. É aí que entram as interrogações que as pessoas começam a abrigar em seus corações achando que não estão sob a graça de Deus, que existe uma força demoníaca arrastando-a para a perdição. Tudo isso, porque esta pessoa está passando por uma tribulação, por uma dificuldade em sua vida. Por esta forma de teologia ela é induzida a pensar que se ela está sofrendo, é por alguma causa que ela desconhece.
Existem pessoas também que quando nada dá certo, procuram em tudo quanto é lugar, nos mais obscuros rituais, nas mais estranhas formas de culto para saber por que aquilo está lhe acontecendo. Elas não dão tempo ao tempo. Não usam o momento para crescer na graça de Deus, esperar na sua soberania e entender que por trás de sua história está o Todo Poderoso. O efeito do dogma da causa e efeito é esmagador em nosso meio. Em virtude dele as pessoas julgam tanto, as pessoas condenam tanto, as pessoas discriminam tanto. Existe tanta discriminação, tanto preconceito, tantos pré-julgamentos em nosso meio em função do dogma da causa e efeito. O livro de Jó combate eficazmente este dogma, porque este Jó a quem os amigos estavam criticando, que eles estavam pensando que guardava algum pecado oculto, muito pelo contrário, era um homem justo, reto e temente a Deus. Quem dá este testemunho é o próprio Deus, versículo oito: Observaste o meu servo Jó, não há ninguém na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal. Não era nada disso que estava acontecendo a Jó.
Ele não estava sofrendo por causa de pecados ou maldições. Ele era um homem bom, justo e reto diante de Deus. Então pessoas boas e inocentes também podem passar por sofrimentos e tribulações sabem por quê? Jesus disse: No mundo tereis aflições.A coqueluche hoje é de se dar testemunhos somente positivos. Eu estava no ônibus e todo mundo foi assaltado, menos eu. Aí todos dizem novamente glória a Deus e aleluia. Eu quero ver esta pessoa contar quando os assaltantes assaltaram somente a ela e a mais ninguém. Isto ela não conta, sabem por quê? Porque nós não estamos acostumados a este tipo de visão de tribulação, e é por isso não sabemos trabalhar a questão do sofrimento na nossa vida. O que deveria ser uma alavanca para o nosso amadurecimento espiritual se torna um mal em si mesmo causado por um pecado que desconhecemos e que deve ser reparado. Jesus já nos avisou há muito tempo: No mundo tereis aflições.Paulo completa a frase Jesus dizendo: gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança e na esperança nós não somos confundidos, porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.
Termino, assim como o livro de Jó deveria terminar, falando da sua maior recompensa. Ao contrário de que pensam alguns, sua maior recompensa não foi receber tudo em dobro. Muitos pensam em suas visões triunfalistas que por serem fies receberão suas perdas em dobro. Não há este tipo de promessa na Bíblia, mesmo porque, irmãos, não há riqueza que recompense sofrimentos nesta escala e a chegada de um novo filho de forma alguma consola a dor da perda de um outro. Logicamente que a maior vitória de Jó não foi ele receber em tudo em dobro. A maior vitória de Jó foi entender Deus para muito além de uma religião fria, de uma religião dogmática, supersticiosa e estranha ao próprio Deus. Somente quando entendermos Deus como Jó entendeu, é que podemos alcançar a nossa grande vitória na fé. Somente quando entendermos que Deus é soberano sobre todos os aspectos de nossa vida é que poderemos como Jó dizer: Ouvi muito falar de ti, que tu eras isso e querias aquilo, mas agora eu posso te entender perfeitamente. Eu te conhecia só de falar, mas agora os meus olhos te veem.



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