Não escolhido.

E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos. Atos 1.26
Abadia de São Matias, em Trier, Alemanha
No Calendário Litúrgico da Igreja Católica reza que hoje é dia de São Matias, o venerável homem santo escolhido para ocupar o lugar de Judas no colegiado dos doze apóstolos. Muito embora esta tivesse sido uma escolha nos moldes de uma herança pagã que ainda sobrevivia entre os judeus, e, logicamente, entre os homens e mulheres mais próximos de Jesus, não há porque desabonar a conduta valorosa deste cristão que teve o seu nome tão honrosamente recomendado para o cargo. Apenas para ilustrar, o Urim e Tumim eram peças que o sumo pontífice do Judaísmo carregava em uma dobra especial do manto que ficava sobre o seu coração, que tinha o pomposo nome de Racional do Juízo, quando este se apresentava anualmente no Santo dos Santos, que era o lugar mais sagrado e exclusivo do Templo de Jerusalém. Por meio destes objetos o sumo sacerdote procurava conhecer a vontade de Deus em casos extremamente difíceis.

Em breve postarei o que de melhor encontrar sobre eles, por hora reitero as críticas que por mais de uma vez fiz, aqui mesmo neste blog, a respeito do critério de escolha que se baseia na sorte, ou no Urim e Tumim, se quiserem usar um termo menos associado ao paganismo.

Salvaguardado o respeito e admiração por este homem, que com toda justiça tem o seu nome arrolado entre os santos da Igreja; respeito esse que estendo aos irmãos católicos, que sempre foram criteriosos nesse tipo de escolha que jamais contou com a sorte, gostaria de aproveitar a oportunidade para falar um pouco sobre José, chamado Barsabás, cognominado Justo. Para quem não sabe, o outro da lista que não foi bafejado pela sorte lançada pelos apóstolos.

Não posso afirmar com certeza, mais existem fortes indícios de este era o candidato preferido por Lucas, o autor do Livro dos Atos dos Apóstolos. Basta que olhemos a forma com que ambos foram apresentados: Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. (Atos 1,23) A apresentação que faz de José, agregando ao seu nome títulos e atributos, em relação à simples citação do nome de Matias é no mínimo curiosa, para não usar a palavra suspeita em um trecho das Escrituras. Podemos até imaginar que fosse esse o motivo pelo qual o nome do escolhido não tivesse sido mais citado no Livro de Atos ou em qualquer outro lugar da Bíblia.

O que importa para o momento é meditarmos sobre a amarga experiência de José por ter sido preterido em um critério de escolha vil e totalmente estranho à fé cristã. Não que a eleição por aclamação ou mesmo pela avaliação de méritos fosse recomendada, mas pelo menos seria decisão tomada em consenso pela responsável decisão de pessoas que conheciam muito bem os critérios de Jesus. Fala-se muito da igreja primitiva exaltando seus feitos como exemplos a serem seguidos, mas com toda certeza este não é um deles, assim como não expressariam a vontade de Deus a eleição ou a avaliação.

Felizmente para José, assim como para todos nós, Deus tem critérios muito mais elevados do que o nossos para fazer julgamento, avaliar atitude ou mesmo examinar o caráter. Não que José, Matias ou qualquer um dos homens e mulheres que acompanharam de perto o ministério de Jesus deixassem de merecer ocupar o lugar deixado por Judas Iscariotes, mas o décimo segundo apóstolo já estava sendo preparado por Deus desde o seu nascimento. Saulo, que já havia sido escolhido, não passaria nem na lembrança de qualquer lista que fosse elaborada com esse objetivo. Mas vale lembrar também, que a exaltação ao nome de Paulo, passa por critérios igualmente humanos, e que aos olhos de Deus, tanto Matias como José Barsabás, Paulo ou mesmo nós, não seremos julgados santos pelo que somos ou fazemos, mas sim porque que um Cordeiro se entregou voluntariamente ao sacrifício, e através do seu sangue, nós, que estávamos preteridos, fomos feitos dignos, santos e irrepreensíveis nos critérios que realmente contam.

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