Os aguilhões testemunham

Paulo perante Agripa por Nikolai K. Bodarevsky 
Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Atos dos Apóstolos 26.14b (ARA)

Este é um ditado de Eurípedes, poeta grego que viveu no século V antes de Cristo, porém, estas palavras ficaram imortalizadas pelo apóstolo Paulo, na conversa que teve com Festo e com rei Agripa. Curiosamente Paulo não as usa como mera citação, mas as coloca na boca de Deus, no momento crucial da sua experiência no caminho de Damasco. Logicamente que ele não ouviu de Deus estas palavras, mas foi a melhor maneira que encontrou para comunicar às pessoas que são profundamente influenciadas pelo pensamento helenista, a inutilidade da relutância contra os desígnios de Deus.
Notem que em meio ao turbilhão de sensações e incertezas Paulo se vê envolvido numa questão muito maior e mais profunda do que a pergunta que o havia derrubado do cavalo: Saulo, Saulo. Por que me persegues? Quanto à motivação da sua luta contra a heresia da doutrina cristã ele poderia apresentar uma série de argumentos, mas nenhum deles responderia ou sequer aranharia a sua inquietação mais contundente: a sua investida contra a vontade de Deu. A mesma inquietação que havia sido manifesta anteriormente por seu mentor e mestre do Judaísmo, o eminente rabino Gamaliel: Portanto, neste caso de agora, não façam nada contra estes homens. Deixem que vão embora porque, se este plano ou este trabalho vem de seres humanos, ele desaparecerá. Mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-lo, pois neste caso estariam lutando contra Deus. (Atos 5.38-39)

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