Deus e a gramática - SOU

Moisés e a sarça ardente por Arnold Friberg
Disse Moisés a Deus:
 ...Qual é o seu nome?
- Êxodo 3.13

Texto do reverendo Paulo Schütz.

Quando Deus falou à Moisés da sarça ardente, identificou-se como o Deus de teu pai, o Deus de Abrão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Embora iniciando com letra maiúscula, Deus não é aqui um nome próprio, mas comum. A maiúscula traduz apenas o respeito narrador pelo Deus que adora, para assinalar que não se trata  um deus qualquer. Mas, para que serve o nome, o comum e o próprio, chamado gramaticalmente de substantivo?

Chama-se assim porque revela a substância do que é nomeado. Diz-se comum quando esta é compartilhada por vários indivíduos. É o caso, por exemplo, do substantivo árvore, ou mesmo laranjeira, e também mulher ou homem. O nome próprio refere-se à substância de um único indivíduo, que o distingue de todos os demais.

Era este o que Moisés queria saber quando perguntou a quem lhe falava: Qual é o seu nome? Surpreendentemente, não obteve nenhum nome, ou substantivo, como resposta, nem comum nem próprio, mas um verbo: SOU (até sem o pronome eu, que em hebraico já vem incorporado na conjugação verbal).

Isso faz toda a diferença, pois, enquanto os nomes se limitam a representar a substância das coisas, os verbos indicam o que está acontecendo e como está acontecendo, segundo o gramático M. Soares. Deus não é uma coisa, para ter substância, mas determina o que acontece e como acontece. Além do mais, não se chama, não é representado por, um verbo qualquer, mas um muito especial, que são na verdade em português dois: ser/estar. Continuamos na próxima postagem. (continua)


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