O que é SATÃ? II

Satã aflige Job com úlceras, William Blake
No Segundo Testamento Satã é denominado satanás ou satã; geralmente com o artigo, exceto no vocativo, como em Mt 4.10; Mt 16.23; Mc 8.33; sem artigo em Mc 3.23; Lc 22.2; II Co 12.7) e diábolos; além de Belial (cf. também Beel-zebub) não são usados outros nomes próprios. Mas encontram-se denominações baseadas nas concepções do Segundo Testamento acerca do Satã: o príncipe deste mundo (João), o acusador (Ap 12.10), o maligno (Mt 13.19; Ef 6.16; II Ts 3.3), o inimigo (Mt 13.39; Lc 10.19).

A ideia do Satã no Segundo Testamento é caracterizada pelos seguintes dois aspectos: ele é o anjo apóstata (II Pe 2.4; Jd 1.6), o grande adversário de Deus e senhor deste mundo, mas tem de ceder diante de Cristo e seu reino. Satã pode dar os reinos deste mundo a quem quiser (Lc 4.6), ele é o armado forte (Mt 12.29). Desde o princípio, o seu escopo é tentar os homens (Mt 4.3; II Ts 3.5; I Co 7.5) e perdê-los (Jo 8.44); pela sua própria culpa tomam-se seus escravos (Hb 2,.14; I Jo 3.8-10). O pecado é a própria esfera em que ele vive (I Jo 3.8); ele é sua origem (II Co 11.3; Jo 8.44), instigador (I Ts 3.5; Mt 4.1) e perpetuador (Ef 2.2). Os maus espíritos (demônios) lhe são submissos (Mt 25.41; II Co 12.7; Ef 2.2; Ef 6.12; Ap 10.9). ele está atrás do paganismo com sua idolatria e magia (At 13.10), é o príncipe (Jo 12.31; Jo 14.30; Jo 16.11; I Jo 5.19) e até o deus deste mundo (II Co 4.4).

SATÃ é chamado também serpente, como em Sabedoria 2.24 (II Co 11.3; Ap 12.9). Cristo, porém, expulsa-o de seu domínio (Mt 12.28; Jo 12.31). Essa vitória começou em princípio com a vinda de Cristo à terra (Lc 10.18) e sua morte na cruz (Jo 12.31); e é completada na parusia (Ap 12.12); manifesta-se visivelmente nos exorcismos do evangelho (possessos). Por isso Satã dirige seus ataques contra o Reino de Deus, iniciado na pessoa de Jesus (a tentação de Jesus; Mt 4.1). Sua maldade invisível (poder das trevas em Cl 1.13) está atrás da traição de Judas (Lc 22.3; Jo 6.70; Jo 13.2; JO 13.27); ele impugna a obra dos discípulos de Jesus (Lc 22.31), a jovem comunidade cristã (At 5.3), a pregação dos apóstolos (I Ts 2.18); até certas doenças lhe são inculpadas (Lc 13.16; I Co 5.5; II Co 12.7).

Espreita as comunidades cristãs, mas na força a fé podem resistir-lhe (Rm 16.20; Ef 6.16; I Pe 5.8 etc.). Nos últimos dias, depois de ter estado amarrado durante o reino milenar, reduplicará suas tentativas de destruir o Reino de Deus e de seduzir os povos (Ap 20.7); o anticristo é apenas seu instrumento (II Ts 2.9).

Mas então segue a sua queda definitiva no lago de fogo (Ap 20.10; Jd 6; II Pe 2.4). O conjunto desses textos sugere que o Segundo Testamento supõe realmente a existência de um poder do mal, que é uma pessoa. Uma interpretação psicológica que diminuísse a realidade da figura de Satã não corresponderia ao teor dos textos. Uma vez o termo Satã é aplicado a um homem, a saber, Pedro, que queria impedir Jesus de ir ao caminho da cruz (Mt 16.23; Mc 8.33); em certo sentido, Pedro (sem o saber) representava Satã que queria perturbar os planos da redenção.


Fonte: Dicionário Enciclopédico da Bíblia. A. Van Den Born

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