O que é JUÍZO? II

A mulher de Ló, autor não identificado
Juízo Universal
No Primeiro Testamento.
Não apenas a sorte do indivíduo, como também a da comunidade humana é determinada pelo juízo de Deus. Ele exterminou pelo dilúvio a humanidade primeva, corrompida (Gn 6.5), a arrogância dos construtores da torre de Babel é quebrada pela sua dispersão (Gn 11), Sodoma e Gomorra são destruídas pelo fogo por causa da sua luxúria (Gn 18.16-19; Gn 18.28).

Amós 1.2-2.3 ameaça os estados vizinhos de Israel com a ruína, porque desprezaram as leis de justiça e humanidade; Is 10.5-19 já vê a mão de Javé levantada para esmagar a petulância da Assíria (Is 14.24-27;  Is 30.27-33); em Is 23.1-18 Deus acaba com o orgulho de Tiro e Sidon (Ez 28.1-10); em Ez 29,1-16 invectiva contra a soberba egípcia. Nestes vaticina contra gentes (Is 13-27; Jr 46-51; Ez 25-32) o motivo por que Deus condena esses povos é frequentemente a sua hostilidade contra o povo de Deus (Ez 25; Jr 46.28; Jr 49.2; Jr 50.33; Hb 3.12). Mas essa hostilidade, por sua vez, era o castigo, ordenado por Deus, pela infidelidade de Israel (Is 10.5; Dt 31.21), pois a eleição de Israel não significava inviolabilidade; as suas obrigações para com Deus estavam estipuladas na lei mosaica e essa incluía necessariamente uma sanção e por conseguinte um juízo (Dt 27-30).

Muitas vezes Javé chama o seu povo diante do seu tribunal (Os 2.4; Os 12.3; Is 3.13; Jr 2.9.35; Ez 20.36; Mal 13.5) e o condena (Ez 5.10.15;  Ez 11.9; Ez 16.41). Sempre de novo os profetas têm que ameaçar com destruição e deportação, as formas concretas em que o juízo de Deus se manifesta na história (Resto de Israel).

Desde bem cedo houve em Israel quem aguardasse uma intervenção especial de Javé na história, à qual se deu o nome de Dia de Javé. Primeiramente o povo acreditava que esse dia seria para eles um triunfo, mas a partir de Am 5.18 prega-se que seria em primeiro lugar um dia de juízo O sentido desse dia de juízo é o desagravo da honra de Deus, pelo esmagamento de todo orgulho humano (Is 2.10-17). Virá acompanhado de horrores cósmicos (Is 13.9; Sf 1.15; Jl 4.15); há de estender-se a todos os povos (Is 13.5-11; Is 24.1-6; Is 18-23; Sf 1.18; Jl 4.1-16; Jr 25.30-33; Ab 15; Zc 14.12-21), pois Javé é “o juiz de toda a terra” (Gn 18.25; Sl 94.2; Sl 67.5).

Quanto à literatura profética mais antiga poderia haver dúvida se o juízo aí anunciado será realmente universal e definitivo; na literatura apocalíptica, porém, isso é afirmado claramente: a esta ordem pôr-se-á um fim por um juízo que abrange todo o cosmo; e assim dar-se-á início a um novo mundo de santidade e justiça.

Daniel que pretende revelar "as últimas coisas” (Dn 8,17; Dn 9.26; Dn 11.27; Dn 12.4-9), descreve em Dn 7.13 o tribunal que deve ter pronunciado a sentença contra os impérios antidivinos (Dn 7.11) e inaugura o reino do Altíssimo; nesse contexto explica-se também a ressurreição de Dn 12.1. A mesma fé num juízo futuro, definitivo e universal, encontra-se também nos apócrifos. A salvação ou a perdição a que tal juízo levava concebiam-se como adequadas e definitivas; era, por isso, natural não limitá-lo aos homens que então viveriam, mas estendê-lo também aos falecidos, pelo menos enquanto ainda não haviam recebido durante a sua vida o que haviam merecido pelos seus atos. É por isso que em alguns escritos a ressurreição precede ao juízo, que para sempre decide a sorte dos justos e pecadores; provavelmente também em Dn 12.2. A ideia de que também os mortos serão julgados no último juízo, porém, não se fala explicitamente em ressurreição; mas provavelmente ela é subentendida como imortalidade).(continua)

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