Ser bom sem saber

Irene no céu, Jeanne Orce
Ai de vocês, escribas e fariseus hipócritas. Jesus Cristo (Mateus 23.13)

Texto do rev. Jonas Rezende.

No capítulo vinte e três do Evangelho segundo Mateus você vai encontrar inúmeras vezes essa frase condenatória de Jesus, que equivale à maldição. E o Mestre enumera uma série de motivos para reprovação tão radical.

É impressionante como os homens corrompem as coisas boas quando se enamoram do poder. Os melhores movimentos, as celebrações mais importantes — tudo se desvaloriza quando perde o sentido original e se cobre com a capa da hipocrisia. Você conhece, certamente, a frase: “Todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.” Os escribas eram homens que amavam as Escrituras, e os fariseus, homens santos e separados para uma tarefa especial, como a própria palavra fariseu nos passa em seu sentido original. E, no entanto, uns e outros terminam merecendo a reprovação severa de Jesus! Não é o que acontece com todas as instituições que nasceram com tão elevados propósitos? Com a própria Igreja?

O homem verdadeiramente santo é aquele que não se preocupa com a santidade, assim como o homem que se deixa dominar pelo amor não se importa mais com conceitos e classificações. Ser bom ou santo é algo que se incorpora à sua natureza e é exercido tão inconscientemente quanto a respiração ou o pulsar do coração. Jesus nos fala, em uma de suas parábolas, do susto dos que se julgavam bons: Quando deixamos de fazer o bem? E do susto ainda maior dos que foram bons sem saber: Quando foi que fizemos este bem?

Manuel Bandeira retrata esta verdade, de forma simples e bela, em uma de suas poesias:

Irene preta.
Irene boa.
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no Céu:
— Licença, meu branco.
E São Pedro, bonachão:
— Entre, Irene.
Você não precisa pedir licença.

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