O que é FESTA DO ANO NOVO?

Trombeta do Rosh Hashanah, Gopi Chandra
Como em Ugarit, assim também em Israel, a lua nova do equinócio do outono, que marcava o início do mês de Tisri, era celebrada com solenidades especiais. Lv 25.23-25 prescreve uma reunião religiosa, abstenção de trabalho, e, além disso, certas aclamações (terü‘ah) precedidas, ou não, do toque de trombetas (cf. Nm 10.5). Foi por causa desse costume que o dia tomou o nome de dia da aclamação: Nm 29.1 No primeiro dia do sétimo mês, tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis; ser-vos-á dia do sonido de trombetas.

Como o rito da aclamação tinha caráter militar, com a finalidade, originariamente, de honrar a Javé como o Deus dos exércitos, trata-se talvez de uma antiga festa guerreira da tradição javística. Seja como for, o certo é que o aspecto militar do rito da aclamação parece ter-se enfraquecido aos poucos, tornando-se a aclamação uma parte entusiasta da liturgia pós-exílica. Nm 29,1-6 dá as prescrições sobre os sacrifícios do “dia da aclamação”. É interessante que este dia, no referido texto, nunca tem o nome de rõ’s hassãnãh (ano novo). Isso vale também para Ne 8.2,9,11, onde o 1º dia do 7º mês é mencionado como um dia santo. O único lugar na Bíblia em que se fala explicitamente na festa do ano novo é em Ez 40.1, onde essa festa parece ter sido escolhida como quadro da visão da nova Jerusalém.

Infelizmente não é dado o nome do mês, de modo que se pode tratar tanto de Tisri como de Nisan. A observação de que aquela festa devia cair no 10° dia do mês supõe que para os leitores esta data não era a data habitual. Tratando-se, porém, do mês de Tisri, tal data parece ser confirmada por Lv 25.9, que prescreve a aclamação do início do ano jubilar para o 10° dia do 7º mês, e, portanto parece considerar esse dia como o primeiro do ano. Que festa do ano novo caía no 10° dia poderia explicar-se pela suposição de que os meses do calendário antigo, o qual começava no outono, não coincidiam com os do calendário babilônico que começava na primavera e foi introduzido pouco antes do cativeiro.

A data de Lv 25.9, porém, pode ter sido escolhida também como início do ano jubilar jubileu, na base do caráter do dia da expiação como dia de perdão. É preciso reconhecer, no entanto, que o ritual do dia da expiação (a ser celebrado no 10° dia do 7° mês, conforme Lv 16.29; 23.27; Nm 29.7), como está descrito em Lv 16, apresenta grande semelhança com as cerimônias do 5° dia da festa do ano novo babilônica. A interpretação dada acima de Ez 40.1 não é a única; é possível que rõ’s hassãnãh em Ez 40.1 deva ser interpretado não como festa do ano novo, mas como primeiro mês do ano (assim nos LXX); então este versículo forneceria uma exata indicação da data (ano, mês, dia).

Certamente existiu em Anrafel Israel uma festa do ano novo. Conforme Gunkel/Begrich e Snaith a origem desse nome pode ser colocada nos últimos tempos da realeza. Mas não há provas suficientes para admitirmos que a festa da colheita que num período mais recente da história de Israel se teria dividido em dia de expiação e festa dos tabernáculos tenha tido, originariamente, o caráter de festa do ano novo, no sentido da de Babel, na qual se celebrava a vitória de Marduc sobre Tiamat (do cosmo sobre o caos), e a renovação de todas as forças vitais. 

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