Vazio ou cheio?

Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se torna pior do que o primeiro. Leia Lucas 11.15-26
O triunfo da morte, Pieter Brueghel 1562
A vida é uma verdadeira batalha e cada dia é uma luta ferrenha. Se eu, ao acordar, não buscar uma orientação segura, então estarei lutando com ambas as mãos amarradas. Vou perder, ou vou me esconder dentro de uma caverna escura e vazia. Isso vai fazer eu me esquecer facilmente do motivo pelo qual estou aqui. Por que estou aqui? A resposta é alucinante: ser um outro Cristo no mundo. 

Talvez o meu mundo de agora consista em cuidar do meu bebê recém-nascido, manter-me perto de um parente moribundo, ser fiel, amar a minha esposa, dedicar a minha vida à família, contribuir com dinheiro ou com algum talento para uma missão ou ministério particular. Mas devo estar consciente de que em cada uma dessas situações vou ser testado. Posso ter certeza disso. Os anjos do céu e do inferno, luz e trevas, o bem e o mal já estão frente a frente na batalha. Ondas de mal estão prontas para varrer toda a Terra. Por outro lado, as ondas de amor, de misericórdia e de compaixão podem tomar o lugar delas. Importa muito para que lado estou efetivamente contribuindo, de que lado me encontro na luta.

O que me proponho ouvir? As vozes do sobrenatural me dizendo para fazer isto ou fazer aquilo? Vou ouvir os gritos da multidão que está reunida para assistir o enorme espetáculo de camarote? Ou vou me guiar pelo testemunho daqueles que da fraqueza tiraram poder para vencer a batalha que lutaram nos seus dias? Hoje vai ser apenas uma simulação ou a coisa vai ser real? Posso morrer como posso viver. Posso voltar ileso ou brutalmente espancado. Mas independentemente do que vai me acontecer, eu nunca vou voltar o mesmo. Heráclito dizia: Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários. Em resumo: muda o homem e muda o rio.

A maneira como eu luto é que vai determinar como eu vivo, como os que me rodeiam viverão, como a próxima geração se lembrará de mim. Sob o foco desta realidade eu peço: Não me deixe cair em tentação.

Uma casa dividida não pode subsistir. O mal gosta de dividir para poder conquistar. Ele adora intriga, fomenta a conversa fiada, menospreza a honra, espalha o medo e a rejeição. Ele adora amizades quebradas, pessoas desonestas, gente egoísta. É assim que os indivíduos o servem. Ele ama aquele que não confia, que não se compromete e que nunca se dispõe a servir. Mas o mal adora mesmo os que dependem apenas de si mesmos. Ele adora o dia da independência de cada um. Essas são as formas do seu convite para cortarmos as amarras que nos unem a Deus.

O Senhor prometeu a Abraão: Através de você todas as nações serão abençoadas. E isso que vem acontecendo através de uma longa cadeia de fidelidade. Os metodistas tem um lindo nome para isso: Linha de esplendor sem fim. Será que eu vou conseguir manter essa linha. Essa bênção vai continuar acontecendo através de mim? É justamente disso que consiste a minha batalha. As coordenadas foram desenhadas: Vida ou morte, céu ou inferno, bem ou mal. São duras essas palavras. Nós não queremos ouvi-las, mas infelizmente, eles não vem de mim. Vem da Bíblia. Vem de Deus.

Hoje o que vai ser? Vamos sair das nossas casas para o nosso campo de batalha com um coração amoroso, um coração manso e solícito aos apelos do mundo, ou com um coração feito de pedra, que não escuta nem a voz de socorro que ecoa de dentro de si mesmo. Os mais comprometidos certamente dirão: Vou cumprir o que o Senhor exige de mim ou morrer tentando.

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