O que é VER? II

João em Patmos,  Hans Baldung em 1511
Em Jesus, Deus faz ver as maravilhas prometidas a Abraão e confirmadas pelos profetas. Coisas que jamais foram vistas antes. Simeão e Ana viram e morreram em paz. Felizes são os olhos que viram o que reis e profetas desejavam ver e não viram. Abraão viu de longe apenas um dos dias de Jesus e se alegrou sobremaneira.

Mas os que viram e não se escandalizaram são ainda mais bem aventurados. O ato de ver praticamente inaugura o Reino de Deus: Mt 11.5 – Os cegos veem, os coxos andam...

Para os evangelhos sinóticos, que tem esse nome justamente porque podem ser vistos como uma unidade, ver o que Jesus fez é o caminho para crer em coisas maiores e alcançar a fé da verdade invisível da história. Os sinais feitos por Jesus são suficientes para se levar a essa fé. Outros sinais não serão dados, contudo, a fé perfeita deveria prescindir até mesmo destes sinais, pois realmente bem aventurados são os que não viram e creram.

Para muitos, a luz do mundo se torna em densas trevas. Estes, apesar dos sinais, não podem crer: Jo 12.37 - E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele.De certo modo também não podem ver, não por serem cegos, mas pela visão obcecada do mundo: Jo 9.41 - Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado. Nos relatos da ressurreição encontram-se os mesmos temas. A vista do sepulcro vazio, as aparições em que Jesus se faz ver às mulheres e aos discípulos e às testemunhas oculares escolhidas.

Se há uma visão que antecede a fé, a própria fé desemboca numa revelação e numa visão. Os céus não se abrem apenas sobre o Filho de Deus. As pessoas presentes, inclusive João Batista, viram esse mistério de Deus revelado. Ver Jesus e ver o verbo de Deus, a vida que estava junto ao Pai e que nos foi revelada. Ver Jesus é ver Deus como ele é, mas não plenamente. Como ele mesmo disse à Maria Madalena: Ainda não voltei para o Pai. A glória que lhe cabe ainda não havia sido de todo revelada. Jesus tem que voltar ao mundo invisível do qual veio, o mundo das realidades que não se veem que é a fonte das coisas que vemos. Seria preciso Jesus deixar de ser visto para que a sua revelação se desse aos que o buscassem.

Quando seus discípulos o viram pela última vez, na Ascensão, começou o tempo em que os que não o viram irão amá-lo, alegrar-se nele e exultarem, ainda que se sem o ver. Mas crendo na firme esperança de que um dia verão o Filho do Homem voltando, sentado à direita de Deus, vindo sobre as nuvens do céu, cheio de poder e glória. Estevão, o primeiro mártir da fé cristã, viu esse dia, o Dia do Senhor anunciado em todo o Primeiro Testamento. Como uma realidade atual: At 7.55 Mas - Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita.

O Apocalipse sugere que esse dia já pode ser visto ao longo da história: AP 1.7 - Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém! É uma realidade que ainda não vemos, a não ser pela fé. Agora não é mais o tempo de olhar para o céu na expectativa da sua vinda, como fazem alguns lendo as palavras de Jesus, segundo a sua visão fundamentalista. É tempo de testemunhar que o veremos voltar na mesma gloria com que subiu aos céus. É tempo de viver essa dupla expectativa: de estar sempre com o Senhor: Fp 1.23 - Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas firmados na esperança de que um dia o veremos face a face: Ap 22.3s - Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.

Ver como Deus é em seu mistério inacessível. Isto resume toda a expectativa dos seus filhos.

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