Inspiração eterna


Louvai a Deus, Senhor
Vinde adorá-lo
Em seus átrios entoai
Hinos de louvor

Sei que muita gente pensa o contrário, mas não vejo parâmetros para comparar as mensagens dos hinos antigos com os louvores gospel atuais. Apesar de pensar assim, não vou fechar questão sobre este aspecto da hinologia cristã no tempo, e fazer da meditação de hoje um programa de calouros para eleger quem canta mais ungido  ou mais inspirado. Mas alguns dados são importantes e merecem ser ressaltados.

O primeiro aspecto a ser ressaltado é que a inspiração das letras na hinologia antiga fundamentava-se quase que exclusivamente nos salmos. Os autores sacros do passado não se arriscavam muito com textos complexos ou de duplo sentido para calcar a sua mensagem musical. Isso é importante porque os hinos, pelo fato de serem cantados por toda a congregação, não devem conter fundamentos teológicos que não sejam de fácil compreensão de todos. Logicamente que o hino deve ser inspirador para as situações do cotidiano, e ao mesmo tempo falar ao coração daquele passa por um momento de tribulação inusitado. O hino tem obrigatoriamente que preencher o coração do fiel que navega em águas tranquilas, além da mesmice que se vive no dia a dia, mas também deve ser a luz que brilha na escuridão de quem se encontra momentaneamente abalado na sua fé. O que melhor que um salmo, que já provou a sua eficácia por milhares de gerações, para atender plenamente essas necessidades?

O segundo aspecto é que a hinologia antiga não pertence à gravadora, não faz referência ao autor e nem se dá conta de quem é o intérprete. Pouquíssimas pessoas ouviram falar de Sarah Poulton Kalley, sabem a cor dos olhos de Henry Maxwell Wright ou onde foi pastor o rev. Antônio de Campos Gonçalves. Pois esses três escreveram a maioria dos hinos que os hinários das igrejas tradicionais contêm. Compuseram hinos para a igreja refletir nos mais diversos momentos do culto e que falavam às mais variadas necessidades do crente. Hinos que imediatamente passaram a pertencer à comunidade evangélica, sobre os quais ela detinha todos os direitos autorais. Não foram feitos para substituir outros elementos importantes do culto, mas para completar harmoniosamente todos esses elementos.

Um terceiro aspecto, talvez este seja o grande diferencial, é que o hino tradicional tem por finalidade chamar o cristão à responsabilidade quanto ao seu ministério, expor-lhe todas as dificuldades da vida cristã e lhe cobrar respostas diante dos grandes desafios do evangelho. Isso mesmo, são hinos que muitas vezes embargam a voz no meio de uma estrofe supostamente despretensiosa. São mensagens que atingem aquele que canta com a mesma intensidade com que atingiu o autor na hora da sua inspiração, por isso não deixam dúvidas quanto ao seu propósito.

Mas o aspecto que realmente chama a atenção é o fato de que nenhum dos autores antigos ganhou dinheiro compondo, ficou rico cantando ou se tornou celebridade de uma hora para outra pela sua obra musical. Pelo contrário, muitos deles escreveram as suas composições após sofrerem duríssimas perdas e debaixo da dor de irreparáveis separações. O rev. John Newton compôs, além de inúmeros hinos, Amazing Grace, uma das músicas do repertório cristão que tem o dom sensibilizar até quem não entende a letra, após perder toda a sua fortuna em um naufrágio, perder o seu prestígio de maior mercador de escravos da Inglaterra e quase perder a sua vida. Newton se converteu à mensagem redentora e gratuita do evangelho, e só por isso pode dar ao mundo mais do que um belíssimo hino: a certeza de que não importa o tamanho do pecado, a inacreditável graça de Deus ainda é muito maior. O rev. Newton despediu-se do mundo dizendo: John Newton, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso senhor e salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir.

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