Chegou a libertação!

Pois livraste da morte a minha alma, das lágrimas, os meus olhos, da queda, os meus pés. Salmo 116
O dia da morte, William Bouguereau em 1859
Duas forças antagônicas parecem acompanhar a história da humanidade: o desejo de escravizar os mais fracos, visando ao lucro ou ao prazer, e a fome de liberdade; o desejo jamais sufocado de libertação. Do choque inevitável dessas forças surgem os protestos, os quilombos dos nossos negros, a resistência civil, os atos de rebeldia, as revoluções, as guerras. No salmo que agora focalizamos, o poeta de Deus coloca em seu universo particular a dolorosa luta visando à liberdade. Para o salmista a libertação nasce no coração do Senhor que deseja plenitude de vida para todos os seus filhos.

Leis todo o salmo. É incrível como a experiência desse homem que viveu há milênios seja tão semelhante à nossa. Quem já não sentiu laços de morte, angústias do inferno, tribulação e tristeza? Ao perceber, porém, que Deus compra a sua briga e luta ao seu lado, o salmista tem uma verdadeira explosão emocional: amo o Senhor, que darei por todos os seus benefícios para comigo?

O poeta faz, em especial, um tríplice destaque.
Tu livraste da morte a minha alma. Não significa que ele deixará de morrer, como todos os seres humanos; ficará para semente, como diz o povo. Uma antiga poesia infantil coloca assim esse problema:
Da morte ninguém escapa
Nem o rei nem o bispo nem o papa...

A referência não é à morte física, tanto que o salmista afirma: preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos. Trata-se de não passar pela segunda morte, mencionada na Bíblia. E essa é uma experiência que começa quando sepultamos os nossos sonhos, perdemos o brilho do olhar, deixamos que a alma envelheça.

Mas o poeta do Divino também destaca: tu livraste das lágrimas os meus olhos. Em Deus se encontra a libertação do nosso desespero. Muitos anos depois, Paulo d Tarso testemunharia: não somos como os que não tem esperança. No próprio Saltério, aprendemos que aquele que sai andando e chorando enquanto semeia voltará, com júbilo, trazendo seus feixes.

E o salmista completa: tu livraste da queda os meus pés. É a garantia da absoluta integridade da nossa vida. As rasteiras não nos derrubarão. Não haverá tombo fatal nem pereceremos degradados aos olhos de todos. Os filhos pródigos sempre poderão abandonar a sarjeta, e empreender o caminho de volta para a casa de Deus, que é tanto pai quanto mãe.

Nascemos para a liberdade. Os negros americanos cantam um spiritual, que Martin Luther King usava em suas marchas de protesto:

Liberdade, liberdade, liberdade para mim.
Antes de um escravo ser, eu prefiro aqui morrer
E no céu, com Jesus, livre estar.

Respire você também os ventos de liberdade
Que nascem no coração de Deus.


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