O triunfo da humildade

Ouvindo o povo que Jesus entrava, foi encontrá-lo enquanto descia o Monte das Oliveiras, em direção a Jerusalém. Jesus era saudado com a voz de crianças, que acenavam com ramos e palmas, e acolhido por gente simples do povo que oferecia, reverente, suas túnicas como tapete afetivo Leiam Mateus 21.1-11 


Entrada triunfal em Jerusalém, afresco em Zirl, Austria
Texto do rev. Luiz Carlos Ramos.

O jumento emprestado
Imperadores, reis e generais costumavam fazer entradas triunfais nas cidades por onde passavam. Cavalaria, músicos, arautos, estandartes e tapetes vermelhos os saudavam. Quando a missão era militar, montavam cavalos fogosos. Mas se de paz se tratava, lá vinha o rei montado em jumento, finamente encilhado.

Jesus, porém, em sua última viagem – que tem como destino a humilhação e a condenação – é homenageado de forma inusitada, ao entrar em Ierushalom (a cidade da paz), montado, nada triunfalmente, em um jumentinho emprestado, numa universal missão de paz (vd. v. 5 e 7).

As túnicas ao chão
Essa gente pobre estende pelo chão suas túnicas rotas para que o Filho de Davi tenha o conforto modesto, oferecido por quem não tem tudo o que o Rei merece… mas tudo o que tem a ele oferece.

Oferta que se faz acompanhar de uma prece: “Hosana ao Filho de Davi” (v. 9). Tal expressão, na boca do povo pobre, soa como um clamor e como um louvor. Clamor para que o rei da Glória atente para a humilhação dos seus súditos. Louvor porque pela boca das crianças que nada tem, a não ser sua própria voz, presta-se a perfeita homenagem àquele que vem em nome do Senhor.

Essa gente não tinha tapetes vermelhos para estender-lhe adiante. Para Jesus, porém, aquelas capas sujas, amassadas e esfarrapadas eram mais que suficientes para fazê-lo sentir-se acolhido, homenageado, honrado, dignificado. Ainda mais que aquele caminho sinuoso se fizera adornar do verde e da esperança das palmas, dos ramos e do calor humano do povo simples e das crianças de colo.

O Profeta galileu
“Quem é este?” (v. 10), perguntam as gentes. Há quem não entenda. Esse galileu não pode ser o Messias. Não é da nobreza, não é um guerreiro, não tem sequer um cavalo de raça; não passa de um mero artesão, operário iletrado; ainda por cima é amigo de pescadores miseráveis, de mulheres indecentes, de enfermos malcheirosos e de lunáticos desprezíveis.

Ecoa uma voz e uma resposta (seria a das crianças?): “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia” (v. 11). Sim! Há aqueles e aquelas que têm olhos para ver Deus entre os pobres, o Rei entre as crianças, o Messias entre os enfermos, o Profeta entre os sem-honra.

. . .
E quanto a nós? Que Messias esperamos ver? Estaremos preparados para o triunfo da humildade? Jesus não vem em missão militar, mas em passeata pacífica; não vem em demonstração de força, mas em expressão de amizade; não vem em busca do poder, mas ao encontro do povo.

Talvez só tenhamos uma túnica batida e empoeirada para honrar o rei bendito. Ele não precisa mais do que isso para se sentir confortável. Talvez só tenhamos nossas vozes tímidas para clamar: “Hosana!”. Ele não precisa mais do que isso para se sentir bem-vindo e visitar-nos com seu amor e sua eterna paz.

Assim, também, benditos sejam tantos quantos vierem humildemente, em nome do Senhor, e em missão de paz.

(rev. Luiz Carlos Ramos é pastor metodista, doutor em Ciências da Religião e é professor da Universidade Metodista de São Paulo).

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