Quem não tem noção erra de novo

Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz. Am 5.18
Banquete de Belsazar, Frans Francken II (1581-1642)
Um ilustre desconhecido disse uma verdade irrefutável: Quem não conhece a sua história está condenado a repeti-la. Peço licença a este que foi realmente ilustre para acrescentar duas palavras ao texto: inexorável e sumariamente condenado, porque a história não é como Jesus, ela não perdoa. Paulo era outro que também não era muito de perdoar, tanto que para os gálatas ele faz a seguinte advertência: Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

Já foi comentado aqui neste blog sobre a interpretação errada e conveniente do fenômeno da glossolalia, conhecido com línguas estranhas. Foi relembrado o quanto este sinal foi desastroso para Israel. Nas vezes que se ouviu língua estranha em Jerusalém, a cidade foi arrasada e o templo destruído. A primeira pelos babilônicos, um povo de longe e de língua estranha. A segunda foi pelos romanos, pouco tempo depois do Pentecostes. Nem mesmo isso freou o ímpeto da igreja em propagar esta anomalia como um sinal de Espírito.

Mas o assombro não para aí. Recentemente me deparei com uma foto de uma imensa mão de plástico que os jovens de uma igreja, em seu retiro espiritual, glorificavam e exultavam acreditando ser a mão de Deus. Em um tumulto generalizado tentavam freneticamente tocá-la, enquanto que outros, mais afortunados, disputavam a tapa a “benção” de se manter embaixo dela. Será que estes, a exemplo dos contemporâneos de Amós imaginam que a visão de um sinal de Deus na Bíblia foi prenúncio de algo benéfico? Será que nenhum deles leu o que aconteceu na corte de Belsazar, descendente de Nabucodonosor? Será que esta igreja não conhece o texto de Daniel cinco?

Pois bem, a mão de Deus já apareceu em um período da história e quem esteve debaixo dela não conheceu um bom desfecho. A mão de Deus veio para escrever onde todos puderam ver “Pesado foste e te encontraste em falta”. Um inequívoco sinal de que as coisas não estavam nada bem. Naquela mesma noite Belsazar foi morto. Um inequívoco sinal de que em breve se sentiria o peso desta mão. Agora não mais sobre uma cidade ou um templo, mas sobre toda uma civilização.

O grande problema da heresia em massa é que ela não atinge somente os hereges. Em Jerusalém, como afirmava Lucas: Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. (At 2.5) Mas nem mesmo estes escaparam da desolação imposta pelas legiões de Tito. Quero acreditar que alguns daquele grupo de jovens refutaram esta estapafúrdia ideia. Quero acreditar também que a intenção da maioria era brincar com um objeto inflável. Quero acreditar mais ainda que um pastor, após a brincadeira, fez ver a todos que aquela não era de fato a mão de Deus e que tudo não passara de uma oficina para a conscientização de todos sobre o grave perigo de se crer em qualquer sinal.

Bom, só eu mesmo para acreditar nisso, porque tudo aponta para outro lado. O lado do barateamento das manifestações Deus, para o achincalhamento da sua Palavra, para o descaso das profecias e para profanar da forma mais pornográfica possível, o sagrado. A igreja não se iluda, aquilo que eles estão plantando agora, pode ser que não colhamos, mas com certeza nossos filhos e netos colherão. Enquanto não se estabelecer a ruptura definitiva da igreja de Cristo com estes movimentos sincretistas, estaremos todos debaixo desta mão, que vem, não para abençoar. Isto Deus já fez com o derramamento do seu Espírito, e não com uma só mão. Mas uma mão que vem para acusar, para apontar erros e para pesar sobre as nossas omissões.

Isso só pode ser evitado através do conhecimento, através da leitura e interpretação honesta da velha Bíblia. Somente conhecendo a história da nossa igreja e os desvios que teve que superar para chegar até nós, entenderemos qual é o seu verdadeiro propósito. É claro que pecaremos também, mas serão pecados novos, pecados inusitados, como bem disse Bertrand Russell:  Por que repetir erros antigos se há tantos erros novos a escolher?

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